Resposta ao texto "Eis o porquê eu não falo de física nuclear", do sr. Benedito J. A. Falcão, publicado no JC em 19/01, fazendo referências ao meu texto "Goste ou não, o mundo é competitivo", publicado no JC em 12/01.
Sr. Benedito, no meu texto, se introduzisse boas escolas aos mais pobres, como sugere, não iria mudar nada do que eu disse. O mundo continuaria competitivo do mesmo modo, pois a população iria aumentar do mesmo jeito e a procura por bons empregos também seria maior do que a ofertas Isto ocorre pois minha análise foi restrita em focar a "pessoa", rica ou pobre, mostrando que seu sucesso seria dependente de sua "determinação e habilidade". Entretanto, o mais incrível é que nos últimos tempos passamos por governos que se diziam preocupados com os pobres, mas nossas escolas, ao invés de melhorarem, pioraram, e muito, fato marcante que o senhor deixou de destacar. Sobre desigualdades sociais, já publiquei textos no JC onde propus formas de melhorá-las como, por exemplo, taxar a herança (sob certas condições) e combater a corrupção, gerando recursos para se criar escolas de qualidade aos necessitados, procurando igualar a capacidade de competição nas oportunidades que a vida oferece. Mas é bom lembrar que a igualdade social em si não é uma virtude, pois no socialismo isto ocorre, mas na pobreza.
Sr. Benedito, a vantagem que tenho no assunto é que "eu vivi" todas as dificuldades as quais se referiu, e consegui vencer. Vivi, pois vim de família simples, cursei também escolas públicas com deficiências, tive que me virar por fora e consegui seguir adiante. Convivi como professor, como coordenador de curso, diretor e até como dono de escola e cursinho. Concluí facilmente que o sucesso começa com o que chamei de "determinação" ou a vontade férrea de fazer as coisas, e mesmo que existam escolas melhores, a determinação continua a ser decisiva para moldar nossas habilidades e nos qualificarmos.
Com escolas melhores, é evidente que facilita para quem souber aproveitar, mas elas, por si só, não aumentam as vagas no mercado de trabalho nem diminuem a população mundial, e o mundo continuará competitivo. Goste ou não, sr. Benedito, isto é um fato e não há nada que possamos fazer. Não dá para pedir para os casais não terem mais filhos, nem para os empresários aumentarem o número de empregos. O que não se deve fazer é cruzar os braços esperando que os outros façam tudo por nós, e o primeiro passo para mudar é aprender a votar em quem realmente pensa no País, e não ficar acreditando em promessas ilusórias que não funcionaram em nenhum lugar. E por falar em Física Nuclear, por coincidência, já tenho pronto o texto "Newton, Einstein e Nós", que vai tocar neste assunto.