09 de julho de 2026
Geral

Bauruense deixa a China com medo do coronavírus e relata tensão geral

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

"Não dava mais para ficar aqui, eu já estava em desespero. As coisas só pioraram. É muito horrível ver tudo o que está acontecendo". É assim que a bauruense Rafaela Félix Dias, 21 anos, resumiu, em vídeos postados em suas redes sociais, o clima de tensão vivido na China, em meio ao crescente número de moradores infectados pelo coronavírus.

Estudante de Medicina do Esporte em Pequim, ela decidiu retornar ao Brasil, ao menos provisoriamente, até que a epidemia possa ser controlada. Até o momento, de acordo com as autoridades chinesas, 106 pessoas morreram no país e mais de 4 mil ficaram doentes.

Devido aos riscos envolvidos, os moradores foram orientados a evitar aglomerações e a usar máscaras, item que Rafaela adotou como obrigatório. Ela conta que muitas pessoas sequer estão saindo de casa.

"Você vê muita diferença na rua. Já não tem tantos carros, nem tantas pessoas. Nem a poluição, que é alta aqui, faz tanta gente usar máscara. Mas, por conta do vírus, todo mundo está de máscara. É uma cena de filme mesmo. As pessoas estão com medo", relatou a jovem em entrevista concedida à Agência Brasil.

Com receio de contrair o vírus e até de os aeroportos de Pequim serem fechados, a estudante antecipou os planos de retornar a Bauru. Ela embarcou nesta terça-feira (28), com previsão de chegar em São Paulo por volta das 22h desta quarta-feira, após fazer escala no Marrocos. Por conta da viagem, o Jornal da Cidade não conseguiu fazer contato com ela.

A mãe, Vanda Rodrigues da Silva Dias, 48 anos, que mora em Bauru, conversou com a reportagem por telefone. "Irei buscá-la em São Paulo e ela virá comigo de carro para cá. Todos da família ficaram muito apreensivos, com bastante medo, mas, felizmente, ela está voltando com saúde para casa", comemora.

ISOLADOS

Rafaela iniciou os estudos na Universidade de Esportes de Pequim em setembro de 2017. Conforme o JC divulgou à época, a oportunidade veio de uma parceria da instituição de ensino com a Confederação Brasileira de Kung Fu, que selecionou a Academia Garra de Tigre de Kung Fu, de Bauru, para enviar dois estudantes para a China. O outro aluno, morador de Lençóis Paulista, já teria retornado ao Brasil no ano passado, conforme apurou o JC.

Desde 2017, Rafaela mora na universidade. Mesmo agora, no período de férias, ela conta que a recomendação é para que os estudantes permaneçam isolados e não saiam às ruas, nem para comprar comida. Eles são orientados a fazer pedidos por telefone, com entrega realizada no portão da instituição.

"Houve uma comemoração do Ano Novo Chinês (no dia 25 de janeiro) dentro do câmpus e os estudantes não puderam ficar aglomerados. Cada um pegou sua comida e foi para seu quarto", relata Vanda.

O início das aulas estava marcado para fevereiro, mas foi suspenso, sem previsão de retomada, devido ao coronavírus. Por esta razão, Rafaela ainda não tem ideia de quando retornará à China. A intenção, contudo, não é desistir do curso, que ela pretende concluir em 2022.

TESTES

Para deixar a universidade, assim como para o embarque no aeroporto, ela teve de se submeter a alguns testes rápidos de saúde, incluindo a aferição de temperatura, para ser descartada como caso suspeito de infecção pelo vírus. Até o momento, a China concentra o maior número de casos confirmados na Ásia. Mas já há registros sendo contabilizados em países como Estados Unidos, Canadá, Austrália, França e Alemanha. Três casos suspeito são investigados no Brasil (leia nas páginas 17 e 22).