Washington - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, propôs nesta terça-feira a criação de um Estado Palestino como parte de uma solução de paz para o Oriente Médio, atraindo críticas dos palestinos pela imposição de condições rígidas e por dar a Israel o direito de manter o controle sobre os contestados assentamentos na Cisjordânia.
Trump anunciou seu plano de paz para Israel e Palestina em um evento na Casa Branca com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a seu lado. O plano inclui o que Trump chamou de um congelamento de quatro anos em atividades ligadas a novos assentamentos por Israel.
DÉCADAS DE CONFLITO
Embora o objetivo declarado de Trump tenha sido o de encerrar décadas de conflito, o plano promovido favorece Israel. O fato foi ressaltado pela ausência dos palestinos no anúncio do presidente norte-americano e parece improvável que as negociações entre israelenses e palestinos, paralisadas desde 2014, sejam retomadas.
Trump estabeleceu um cronograma de quatro anos para que os palestinos acertem um acordo de segurança com Israel, suspendam o ataques do grupo militante islâmico Hamas e preparou instituições governamentais para estabelecer um Estado palestino com a capital em Abu Dis, localizada ao leste de Jerusalém. Isso também representa um problema em potencial para os palestinos.
ABU DIS
Abu Dis fica a pouco mais de 1,5 quilômetro da murada Cidade Velha de Jerusalém, onde ficam locais sagrados para judeus, cristãos e muçulmanos. Os palestinos que vivem em Abu Dis estão separados dessa área por um alto muro de concreto, erguido pelos israelenses, e por vários postos de controle.
É improvável que o local satisfaça os líderes palestinos que querem uma localização mais central. O plano de Trump diz que esse muro deveria servir como fronteira entre as capitais dos dois Estados, acrescentando que Jerusalém deveria continuar sendo a capital soberana e indivisível de Israel.
"A minha visão apresenta uma oportunidade de ganho para os dois lados, uma solução realista para dois Estados que resolve o risco do Estado Palestino para a segurança de Israel", disse Trump.
"TAPA NA CARA"
O presidente palestino, Mahmoud Abbas, que falou a jornalistas na cidade de Ramallah, na Cisjordânia, atacou duramente o plano que Trump chamou de "o acordo do século". Para o líder palestino, o plano é "o tapa na cara do século".
"Jerusalém não está à venda, nossos direitos não estão à venda e não serão barganhados e seu acordo, essa conspiração, não passará", disse Abbas.