08 de julho de 2026
Articulistas

50 tons de cinza

Vinicius Bomfim
| Tempo de leitura: 2 min

Quando as nuvens do céu se encontram e os "50 Tons de Cinza" entram em ação, o medo passa a ser o seu maior companheiro. Pelo menos na vida daqueles que menos têm. Quem tem carro, foge a tempo dos grandes rios que cruzam as cidades. Quem não o tem, não sabe se compensa correr para a casa, já que, em inúmeros casos, as casas vão ao chão quando as "ondas do rio urbano" batem de frente.

Antes, era até possível entender que um carro poderia te proteger de uma enchente. Hoje, os carros viraram barcos (e perigosos). Os que nem carro conseguiram ter, juntam madeira por madeira, tijolo por tijolo, para reconstruir aquilo que já foi erguido com muito suor. Sem contar que no bairro que ele construiu nunca mais foi lembrado pelo órgão público.

Segundo a ONU, em 2015 o Brasil atingiu a marca dos 10 países com maior número de afetados por desastres ambientais nos últimos 20 anos. Um tanto quanto estranho, se pensar que o Brasil é uma grande potência regional e ambiental.

Os desastres se dão pelo verdadeiro descaso do humano com o meio ambiente. Enfiaram carros e mais carros nas ruas, vomitaram (e vomitam) gás carbônico para todos os lados, não cuidaram do mínimo bom senso de limpar o próprio m². Os bueiros entopem, os carros são levados, as doenças de pele ganham força pelo sol escaldante e, no fim, a população passa a "aprender" a desviar do problema que já é uma realidade.

A mentalidade do brasileiro é o maior inimigo do meio ambiente, e não a pobreza, como defende o ministro Paulo Guedes. Há interesses econômicos gigantescos em cima do meio ambiente. Somos responsáveis pela criação e formação das cidades, assim como elas se sustentam dia após dia. Os efeitos aparecem. A natureza cobra.

Vemos que as coisas estão de ponta cabeça quando Greta Thumberg é chamada de "Pirralha" e nossos governantes, presidente e ministros, de ícones e "mitos". É preciso ficar claro que os cuidados do meio ambiente não se dão por conta própria. As políticas públicas devem entrar com planos de ações. Nós, meros integrantes da população, devemos no mínimo fazer a nossa parte.

Enquanto Zeca Pagodinho vira notícia usando Jet-Ski para salvar moradores durante enchente, outros viram notícia por ter sido levado pela mesma. Ainda há tempo.