11 de julho de 2026
Articulistas

Resiliência urbana: estratégia do possível no cenário de incerteza e risco

Adalberto da Silva Retto Jr.
| Tempo de leitura: 2 min

Certamente é possível afirmar que "resiliência" representa hoje o termo para descrever a transição da crise para o renascimento das cidades. Por que resiliência lembra a crise da cidade? Porque lembra-nos sua fragilidade e vulnerabilidade diante dos fenômenos naturais, bem como das situações econômicas e sociais em seus momentos de ruptura; ao mesmo tempo, a palavra - tão nova e aparentemente tão afastada do Planejamento Urbano, contém em si a indicação de uma reação, resumindo efetivamente pressupostos teóricos e metodológicos inovadores, indispensáveis no contexto atual para novas ações necessárias ao desenvolvimento. É uma perspectiva que, em si mesma, contém não apenas o problema, mas também a solução; formula objetivos, mas indica contextualmente, acima de tudo, uma estratégia.

Por isso, a resiliência é, acima de tudo, uma perspectiva que marca inequivocamente o novo rumo que a reflexão e a ação do planejamento urbano devem poder adotar não apenas para a construção do futuro, mas, sobretudo, para responder às novas necessidades da sociedade contemporânea que vive, produz e transforma um território. A resiliência, portanto, indica um quadro de ação; permite delinear estruturas futuras e cenários de projeto sem necessariamente colocá-los em rígidos instrumentos regulatórios e procedimentos específicos; permite formular práticas específicas e intervenções adequadas para os contextos de intervenção, sem a necessidade de seguir procedimentos padronizados; sugere a construção de redes e relacionamentos e plataformas de objetivos compartilhados entre atores e partes interessadas, além das habilidades para níveis ou limites; estimula superar barreiras disciplinares e favorece as sinergias entre os especialistas envolvidos, não pelas obrigações institucionais, mas pelo caráter e complexidade do problema e que se encontram no objetivo comum de traçar um futuro sustentável para o meio ambiente e as comunidades. Portanto, a resiliência que liga-se claramente ao desenvolvimento sustentável requer a participação pública e de envolvimento dos cidadãos no estágio mais inicial possível do processo decisório.

"Essa mudança de rumo traz implicações não somente cognitivas, mas também éticas, políticas e conceituais. Portanto, a atividade de pesquisa nessa área, ainda restrita às universidades, precisa assumir sua aplicabilidade à luz de algumas convicções sobre o caráter distinto do urbanismo em uma dimensão contextual, no sentido de estruturá-la mais intimamente com as práticas e os cenários sociais e territoriais. Por isso, é útil estabelecer de forma clara os tempos da pesquisa no cronograma do plano: o "tempo lógico" e o "tempo histórico" de seu processo.

É útil verificar a aplicabilidade de certos parâmetros e suas adaptações, bem como perceber a sua dimensão projetual, entendendo que o urbanismo termina na ação e traz em si a tensão da mudança para a prefiguração e o funcionamento espacial, mudança para uma aparência física e morfológica dos espaços, e ainda para a organização e gestão dos processos. É mister reconhecer o papel social da pesquisa para que a população entenda que o urbanismo é pertinente à comunidade e, por isso, deve ser desenvolvido com competência técnica, equilíbrio e consciência da dimensão civil do trabalho, inclusive no que tange à participação popular".