09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

De covardia em covardia...

Ivan Garcia Goffi
| Tempo de leitura: 2 min

Dias atrás esse diário publicou matéria na qual mostrava uma calçada destruída por uma árvore, a qual já teria causado a queda de um idoso e cujo corte já havia sido proposto à Semma. O que a matéria não abordou foi o mix de incompetência, ignorância e falta de bom senso que têm levado nossa cidade à desertificação, com amplo apoio da Semma. Vou explicar.

A natureza dotou as árvores de potencial hidráulico para romper barreiras e levantar rochas, assegurando o crescimento dos vegetais mesmo diante das inclementes dificuldades do relevo. Assim, é por demais evidente que a prática usual de fechar o concreto das calçadas até o tronco vai acarretar a quebra daquela! A natureza quer vencer! Aliás, o próprio crescimento dela já é uma proeza, pois o munícipe sequer deixa espaço para absorção de água ou nutrientes. E, mesmo com todos os percalços, a natureza faz sua parte em nosso favor.

No rastro da ignorância, ao invés de refazer de forma correta, vem o munícipe reclamar de sua calçada "quebrada pela árvore". A Semma, como sempre, autoriza a supressão sem sequer se acautelar sobre a substituição, que na maioria das vezes é feita por uma muda raquítica que sucumbe em algumas semanas. Quando muito, o que sobra é um bonsai podado em forma de cotonete que não faz sombra nem para selim de bicicleta. Árvores grandes e ruas sombreadas são lembranças do passado de Bauru - ou imagens de cidades desenvolvidas mundo afora - mas que aqui ganham contorno de "problema".

O calor tórrido de nossa cidade não decorre do sol (que tem a mesma temperatura há 5,5 bilhões de anos) ou do aquecimento global. Decorre do reflexo da radiação solar nas superfícies sólidas (irradiação), como asfalto e concreto. Quanto menos copas de árvores e menos superfície verde, mais calor é devolvido à atmosfera. Quanto a isso, a Semma e a ignorância humana tem contribuído bastante.