08 de julho de 2026
Articulistas

A humildade

Bruno Svizzero Cabello
| Tempo de leitura: 3 min

Humildade é uma palavra que significa conhecer suas próprias limitações e agir de acordo com essa consciência. Desse modo, humilde é a pessoa simples, modesta, sem orgulho. Para muitos, é uma pessoa de hábitos simples, que veste roupas velhas, pobre financeiramente, que não usa relógio digital. Mas não quero falar dessa humildade, refiro-me à humildade de espírito, aquela de ouvir, a dos sábios. Uma pessoa verdadeiramente humilde, na minha opinião, é aquela que sabe escutar o que o outro tem a dizer, sem julgamentos, sem impor outras ideias. Em um mundo onde a vontade individual é cada vez mais exigida, sobra arrogância.

Nesse sentido, onde estão os humildes? Nas universidades? Nem sempre. Nos mais velhos? Também não. Nas religiões? Depende. Nas mídias sociais? Jamais. Será que, com as constantes evoluções, o homem se perdeu na presunção de ser mais importante do que o outro? Todos querem parecer ricos, saudáveis, bem sucedidos e importantes. Os mais novos não tem tempo de aprender com as experiências dos mais velhos, já os mais velhos não escutam o que os mais novos tem a dizer.

Como cita Osho, a maior prova de que uma criança nasce pura é que ela não sabe o que é o "eu", por isso diz "Fulano faz, fulano pega", quando se refere à ela mesma, e o problema começa quando ela é ensinada a dizer "eu quero isso", "eu quero aquilo", pois nesse momento o egoísmo entra em cena, para nunca mais sair. Pode-se verificar essa conduta também em muitos idosos, pois não há tempo a perder, eles tem pressa, querem tudo para agora. A humildade de um sábio, cravada por Sócrates, demonstra que admitir que nada se sabe é um ato individual e íntegro, que não se verifica na massificação da prepotência. Os seres humanos, quando precisam de algo são humildes, quando estão debilitados também. As máscaras caem em um leito de hospital, revelando a pequenez da existência.

A ignorância em se achar melhor do que o outro se sobrepõe à importância do que está sendo discutido na relação de trabalho, na faculdade, em casa, nas relações amorosas, dentre outras. Não furar fila, não jogar lixo no chão, seguir as leis de trânsito, dar a vez, respeitar as vagas de deficientes, não julgar pela aparência, admitir que errou, são atos de humildade na medida em que se pensa no outro. A pessoa sábia é aquela que reconhece o seu lugar e entende que o outro tem suas necessidades, convicções, desejos, aspirações. É compreensiva e transparente. Ter um filho é um ato de humildade, pois abre-se mão de suas próprias vontades em favor de outra pessoa. Existe humildade na pessoa culta que ouve o inculto, da mesma forma no sentido contrário.

Tratar um mendigo da mesma forma que uma autoridade é valorizar o ser humano. O mundo é um lugar melhor onde baixamos as armas, para olhar além dos muros, revelando a simplicidade, para demonstrar quem realmente somos.

Como diz Mario Sérgio Cortella, quem não é humilde, o que é diferente de ser subserviente, acaba perdendo demais, pois fica aprisionado dentro de si. O melhor caminho é ter ciência de que a gente não sabe todas as coisas e de que isso não é um defeito. A humildade, inclusive, pode ser trabalhada durante a vida. Assim, na esperança de uma sociedade harmoniosa, sábia e melhor para nossos filhos, sejamos humildes, pois o futuro é colaborativo.