10 de julho de 2026
Política

Rodrigo tem três projetos aprovados

Thiago Navarro
| Tempo de leitura: 4 min

O deputado federal Rodrigo Agostinho (PSB) considera positiva a atuação que teve em seu primeiro ano de mandato. Após conseguir a aprovação de três projetos, buscará aprovação de mais propostas, e cita o que considera prioritário para este novo ano, o segundo do mandato na Câmara dos Deputados. Confira os principais trechos da entrevista.

JC - Na avaliação do primeiro ano, como considera seu desempenho na Câmara?

Rodrigo - Entrei muito animado, depois que acabou a eleição fui conhecer bem o Regimento Interno. Sou um dos líderes em apresentação de projetos, foram 165 propostas dos mais diferentes temas em tramitação. Por conta desse esforço, recebi a relatoria de 18 projetos, nas comissões da qual faço parte e, em plenário, e consegui ser presidente da Comissão de Meio Ambiente, e ainda participar de outras comissões permanentes e temporárias, ajudei a escrever parte da lei de licitações. Estou contente com o resultado, e no final do ano passei a fazer parte da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Óleo nas praias do Nordeste. Foi um ano de muito trabalho. Procurei economizar, foram R$ 600 mil que teria direito a gastar e não usei. Abri mão de privilégios, como auxílio-moradia, fui um dos que mais economizou. Uma das poucas despesas que mantenho é com passagens aéreas mesmo.

JC - Como está a tramitação dos projetos?

Rodrigo - Conseguimos aprovar três projetos. Um é o que criminaliza o Caixa 2 em partidos políticos, outro é para a nova lei de ação popular. O terceiro foi o que padroniza o agravo regimental em todas as instâncias do Poder Judiciário. Muitos projetos estão nas comissões temáticas, e podem ir para plenário.

JC - Em emendas, quanto já foi obtido para a região?

Rodrigo - Agora no segundo ano vamos liberar as primeiras emendas. Obtive R$ 36 milhões em emendas. Desse total, vai liberar as emendas individuais do Orçamento, de R$ 15 milhões, agora. Também consegui várias emendas de deputados que não foram reeleitos e estavam paradas. Tem ainda uma verba de R$ 3 milhões do governo do Estado para dividir entre os municípios da região. Então, tem bastante coisa que vai começar a sair a partir deste ano mesmo. A maior parte dos recursos fica para a saúde, depois vem a estrutura urbana. Todas as emendas serão para os municípios da região, em um raio até pouco mais de 100 quilômetros de Bauru.

JC - O seu partido desde o começo se colocou como oposição ao governo do presidente Jair Bolsonaro. Como avalia essa postura?

Rodrigo - A minha relação com o partido é muito boa. Estamos vivendo um momento de muita polarização no País. O PSB tem uma posição mais moderada, o que nos dá liberdade para trabalhar. Claro que essa liberdade tem limite, que eu ultrapassei ao votar a favor da reforma da Previdência, acabei sendo suspenso. A respeito do governo Bolsonaro, é o que sempre falo para a minha equipe. Se estou em um avião, eu torço para o piloto, o que não quer dizer que não possa criticar as manobras no percurso. Tem alguns ministros que estão trabalhando forte para acertar, como o Paulo Guedes na Economia, o Luiz Henrique Mandetta na Saúde, o Marcos Pontes na Ciência e Tecnologia. Avalio que o Sergio Moro na Justiça está conseguindo avançar em pautas importantes. Outros ministros, contudo, tem atuação deprimente, como o Ricardo Salles no Meio Ambiente, o Abraham Weintraub na Educação e o Ernesto Araújo nas Relações Exteriores, além da Damares Alves na Família e Direitos Humanos. Acho que todos ainda esperam um pouco mais do governo.

JC - A suspensão sua no PSB ainda está valendo. Com isso dá para participar de comissões neste ano?

Rodrigo - A suspensão é de seis meses, inicialmente, então termina agora em fevereiro. Aí poderei disputar vagas em comissões. Pretendo continuar nas comissões em que já estou, que são a de Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia, nas duas sou titular, e na de Agricultura e Pecuária, onde sou suplente

JC - Para este ano, quais são as prioridades?

Rodrigo - Esse ano os trabalhos devem ficar mais concentrados no primeiro semestre, por conta das eleições. Muitos deputados se envolvem em campanhas eleitorais e alguns até são candidatos, então acaba reduzindo mesmo no final do ano. O que vemos é que o Parlamento ganhou força, e alguns temas que devem ser votados são a independência do Banco Central, a reforma tributária e a reforma administrativa. Também estou buscando que o foro privilegiado também seja votado. A Câmara é muito grande, as coisas só acontecem quando há consenso. Praticamente todos os projetos vão para pauta apenas se tem acordo, feito entre o presidente e as lideranças dos partidos. O que acontece hoje é que tem 100 deputados que conhecem o Regimento, e 400 que não conhecem praticamente. Muitos vão mais para buscar recursos para as suas regiões, e acabam apenas seguindo o que o partido orienta. Então são poucos os que acabam se dedicando mais a elaboração de leis e propostas mesmo.

JC- Bauru ficou sem deputado estadual e você tenta se aproximar do governo do Estado. Tem conseguido?

Rodrigo - Passei a buscar ajuda de deputados estaduais, alguns mandaram emendas, como a Marina Helou (Rede) e o Ricardo Madalena (PL), que é da região. Também conseguimos a liberação de R$ 3 milhões do Estado para municípios da região e venho conversando bastante com o vice-governador Rodrigo Garcia (DEM). Temos de ter esse contato com o governo do Estado.