São Paulo - Apresentador do Bom Dia São Paulo (Globo), Rodrigo Bocardi, 44, tornou-se alvo de uma polêmica durante a exibição do programa dessa sexta-feira (7).
Enquanto acompanhava uma reportagem externa, feita pelo repórter Tiago Scheuer, que entrevistava um jovem negro na plataforma de um metrô de São Paulo, o apresentador fez uma pergunta considerada tendenciosa pelos internautas.
O jovem, chamado Leonel, esperava o trem e alegou que estava indo para o Clube Pinheiros, considerado um clube de elite em São Paulo -para conseguir uma vaga nele é preciso comprar o título de um sócio desistente através de uma transferência de titularidade, que pode custar até R$ 70 mil.
Bocardi pede que Scheuer questione se o jovem está indo "pegar bolinha de tênis", sugerindo que ele seja o gandula do clube. O jovem responde: "Não, sou atleta lá do Pinheiros, eu jogo polo aquático".
O apresentador, que também frequenta o clube, mostra-se surpreso com a resposta e afirma: "E eu estava achando que eram os meus parceiros ali, que me ajudam nas partidas".
A cena levou a uma discussão sobre racismo estrutural nas redes sociais. O termo designa práticas racistas que acontecem comumente no dia a dia, mas que não são percebidas com clareza.
DESCULPAS
Através das redes sociais o apresentador pediu desculpas e negou ser racista. "Os jogadores de tênis não usam uniformes, mas os pegadores/rebatedores, sim: uma camiseta igual a do Leonel, com quem tive o prazer de conversar hoje. Ao vê-lo com a camiseta que vejo sempre, todos os dias, pegadores/rebatedores de todas as cores de pele, pensei que fosse um deles", disse ele no Instragram, compartilhando um vídeo que fez com catadores de bolinha.
A camiseta usada por Leonel - em tom de azul -, no entanto, é diferente da usada pelos garotos, feita em um azul mais escuro e com as mangas pretas.
Bocardi diz que está "muito triste com a acusação de preconceito" por ser "de origem humilde" e anda mais de duas horas de ônibus todos os dias para ir e voltar do trabalho, na rede Globo."Apenas complementando… a foto do meu perfil neste Twitter está aí desde a criação da conta, nunca foi trocada, e foi tirada em 2003 - período que morei em Angola! Obrigado", declarou. Ele está ao lado de crianças negras.
SOBRINHO DE ÍCONE
Segundo o jornalista Demétrio Vecchioli, do blog Olhar Olímpico, o Clube Pinheiros proibiu Diaz, de dar entrevistas sobre o caso. Leonel Diaz nasceu em Cuba e é sobrinho de um dos ícones do polo aquático no país, o também cubano Barbaro Diaz. O garoto comemorou 18 anos nesta quinta-feira e exatos sete anos morando no Brasil, mesmo período que atua no Esporte Clube Pinheiros.