A Unimed-Bauru, em parceria com a Copaíba Invest, trouxe a economista Zeina Latif para uma palestra aos cooperados, onde discorreu sobre o "Cenário Econômico e Perspectivas para 2020" para um grupo de convidados na Casa do Médico.
Para quem não a conhece, Zeina Latif é referência no País quando o assunto é economia. Formada na USP, ela é reconhecida como uma das maiores autoridades no mercado financeiro, já tendo ocupado o cargo de economista-chefe em grandes bancos e instituições financeiras. Somada a uma trajetória profissional de sucesso, Latif também conta com um currículo acadêmico bastante consistente. Ela é doutora em economia pela USP.
Para o presidente da Unimed Bauru, Emerson Luiz Cardia de Campos, a vinda da palestrante foi muito importante para agregar conhecimentos e evidenciar novas perspectivas para o setor de saúde. "Além de médicos, temos nossos negócios para administrar, já que nossas clínicas são nossas empresas. E a Unimed, na categoria de cooperativa, torna-se uma grande empresa, que tem em seu quadro cerca de 800 'proprietários'. Por isso, essa palestra foi de grande importância para nossa área", destaca.
VIRADA DE PÁGINA
Ao JC, antes da palestra, Zeina falou sobre o momento econômico do País e, sua expertise já antevia uma nova mexida, leia-se corte na taxa Selic. A taxa Selic, caiu para o patamar de 4,25% ao ano e é o principal indexador dos investimentos em produtos de renda fixa no Brasil. Aqui algumas das opiniões da economista, para quem a economia brasileira virou a página nesse aspecto, taxa de juros, e variações para baixo são possíveis e para cima, não. Para ela, os números baixos são algo quase que "ad eternum". "Não teremos mais aquelas taxas estratosféricas, de 12, 14, 15% ao ano. Não há perspectiva de retrocesso", conjectura.
Segundo a economista, esses números vieram para ficar. "É claro que a agenda econômica das contas públicas, os rombos orçamentários, a dívida pública, está muito alta e são os próximos pontos a serem atacados, evidente, e é preciso avançar nesse aspecto, mas muita coisa já é passado", sintetiza, lembrando um pouco da história recente do País, a mudança, a reforma que começou com o governo Temer e avançou no primeiro ano de Bolsonaro e deve avançar ainda mais.
SEM INFLAÇÃO
"Só para lembrar de um episódio recente, lá em 2013, quando os jovens foram às ruas protestar contra o aumento das tarifas de ônibus no fundo o que estavam dizendo era 'não aceitamos a volta da inflação', sob hipótese alguma", lembra. No passado, crises fiscais eram combatidas se aumentando os impostos, e daí consequentemente aumentava-se a inflação, quando, na verdade, o caminho é o inverso.
INVESTIMENTO
Um dos tópicos, se não o principal, da palestra dela foi a questão de investimento, as melhores escolhas para o investidor brasileiro tendo em vista que é o próprio investidor brasileiro quem hoje em dia sustenta a alta da Bolsa. Na semana passada, pela primeira vez desde 2014, soube-se que o investidor brasileiro é a maioria. "A expectativa para 2020 é que esse movimento se mantenha diante da crescente demanda interna, com investidores em busca de novas alternativas. Acabou aquela fase em que quem tinha dinheiro estava na inércia. O dono do capital estava mal-acostumado, sem esforço colocava seu dinheiro neste ou naquele tipo de investimento e esperava um retorno de 14%. Hoje não. Claro que hoje em dia há mais risco, mas é um investimento real. Afinal, é hora de apostar de fato na recuperação da economia, na geração de riquezas."
Ratificando o assunto, o sócio da Copaíba Invest - escritório da XP Investimentos em Bauru, Valdir Ary Lino, salienta que esse momento de juros baixos veio pra ficar por um bom tempo e que agora é hora de trabalhar o dinheiro de forma séria e com profissionalismo porque a época de viver de juros ou sem preocupar com eles acabou.
CHINESES
A economista falou ainda sobre a presença maciça de investidores chineses no Brasil. Para ela, o parceiro - que é maior comprador do País, especialmente na agro-indústria, é bem-vindo. "Não me preocupa o fato de os chineses chegarem com tanto apetite no Brasil, não apenas comprando nossos produtos, nossa produção, como a soja, mas também comprando as terras, onde estão plantando. É melhor ter os empresários chineses comprando do que ninguém. O que precisamos é de regras para essa ocupação. Eles, os empresários, os chineses, ou seja de qualquer lugar do mundo, obedecendo nossas regras de ocupação, tendo preocupação com o meio ambiente, remunerando decentemente o trabalhador e valorizando o produto são e serão sempre bem-vindos".
INDÚSTRIA
Para finalizar, a avaliação da economista é de que o Brasil precisa avançar em reformas que inclusive permitam maior produção com um parque industrial cada mais competitivo. "Penso que o setor sofre por dois aspectos principais: o primeiro é uma certa insegurança jurídica. Precisamos de regras melhor definidas. Reformas terão que vir nesse sentido e creio que virão já em 2020. O segundo aspecto é mais profundo. Nossa indústria sofre com a baixa qualificação da mão de obra. Isso também precisa ser melhorado. É um processo que demora um pouco mais", finaliza.