10 de julho de 2026
Geral

Chuva expõe problemas crônicos de ligações irregulares na rede de esgoto


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A chegada da temporada de chuvas expõe, mais uma vez, um problema crônico das cidades. Em 99% dos casos, é nesta época do ano que moradores reclamam do retorno de esgoto para dentro de suas casas, um transtorno causado por ligações clandestinas nos bairros.

Segundo o DAE, de janeiro de 2019 até esta quarta-feira (12), foram registradas 1.260 queixas de entrada de água misturada com esgoto em ralos de residências. Por outro lado, somente em janeiro de 2020, a autarquia já detectou 58 imóveis com ligações irregulares que direcionam a água da chuva, como a vinda das calhas, diretamente para a rede de esgoto.

No ano passado inteiro, foram identificadas 214 habitações com o mesmo problema. "Além de retorno de esgoto dentro do próprio imóvel, estas ligações podem provocar transtornos para residências vizinhas", observa o diretor de controle de perdas do DAE, Elton Oliveira.

Ele explica que as moradias devem garantir que a água da chuva seja conduzida somente para as galerias pluviais. Quando isso não ocorre, seja por conta de ligações clandestinas ou mal feitas, a rede coletora de esgoto tende a ficar sobrecarregada e os dejetos podem retornar para as residências ou mesmo romper tubulações.

Outro problema grave é que, misturado com a água da chuva, o esgoto chega à Estação de Tratamento muito diluído, comprometendo a eficiência do processo. "É um volume muito grande de água diluído em carga orgânica que tem de passar pelos tanques da estação, o que prejudica a eficiência do tratamento", pontua Oliveira.

FISCALIZAÇÃO

De acordo com ele, as redes coletoras de esgoto são projetadas e construídas para serem independentes e não terem ligações com galerias de águas pluviais, ou seja, são preparadas para receber apenas água usada nas pias, tanques, vaso sanitário e chuveiro. Por sua vez, a água da chuva deve ser coletada por uma rede independente e lançada na sarjeta.

Para combater a prática, proibida por lei, o DAE intensificou as fiscalizações e criou uma resolução que aumenta o valor da multa, que pode chegar a R$ 2 mil. Em 2019, a seção de fiscalização da autarquia vistoriou 6.280 imóveis, sendo constatadas irregularidades em 214 deles. Até o momento, 186 já foram corrigidas pelos proprietários.

Em janeiro de 2020, os fiscais já fiscalizaram 673 habitações e detectaram 58 irregularidades -19 delas solucionadas até o momento. "A intenção, neste ano, é fazer mais visitas do que em 2019. Além disso, a empresa Vitiver, contratada para desenvolver o projeto técnico socioambiental da ETE Vargem Limpa, visitou aproximadamente 33 mil residências para prestar orientações aos moradores sobre os cuidados com a rede de esgoto", acrescenta.

O munícipe flagrado lançando água da chuva na rede de esgoto é notificado pelo DAE e tem 30 dias para fazer as adequações necessárias. Após o vencimento desse prazo, se não fizer a regularização, fica sujeito à multa, que será lançada em sua conta de água. O prazo, contudo, pode ser estendido para 90 dias, mediante termo de acordo formalizado no Poupatempo.