08 de julho de 2026
Nacional

Solo impermeável cresce 11%


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Em pouco mais de 30 anos, entre 1985 e 2018, a mancha urbana da cidade de São Paulo passou de 793,2 km² para 878,6 km², crescimento de 11%. Isso representa 57% do território paulistano, ante os 52% de meados da década de 1980.

Os dados são do Projeto de Mapeamento Anual da Cobertura e Uso do Solo no Brasil (MapBiomas), uma rede colaborativa formada por ONGs, universidades e empresas de tecnologia, e apontam para um fato diretamente relacionado ao problema que a capital enfrentou na segunda-feira (10): enchentes que paralisam a vida urbana e travam a atividade econômica.

De acordo com a classificação usada pelo MapBiomas, essa mancha é classificada como áreas urbanizadas, com predomínio de superfícies não vegetadas, incluindo estradas, vias e construções. Ou seja, locais de menor ou nenhuma permeabilidade para a chuva penetrar no solo e atingir os lençóis freáticos.

O movimento se repetiu em diferentes níveis em cidades da Grande São Paulo e no estado, no mesmo período. Em algumas delas que também sofreram os efeitos da chuva nesta semana, como Osasco, que entrou em estado de calamidade, onde o crescimento de áreas urbanizadas foi de 12%.

ESTADO

Em todo o estado de São Paulo, as áreas 'cimentadas' quase dobraram - cresceram 86% entre 1985 e 2018, o período analisado pelo MapBiomas.

Para Marcos Rosa, coordenador técnico do projeto, nada indica que algo possa mudar nesse processo de crescimento desorganizado que historicamente desconsidera a manutenção de áreas permeáveis. Os efeitos são conhecidos: assoreamento dos cursos de água e transbordamentos em época de chuvas. "Essa mancha é grande em direção a Campinas e Sorocaba", diz Rosa.