08 de julho de 2026
Turismo

Pescaria em Ayolas - 1


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A notícia espalhada entre os pescadores afeiçoados da pesca embarcada em rios de grande porte, dizia que o rio paraná estava dominado por piaparas na região de Ayolas, uma cidadela do Paraguai, peixes que naquele país são conhecidos por boga e, em menor escala, outros peixes como dourado e pintado, comuns naquele lugar também marcavam presença em cardumes isolados. Comentava-se que as caravanas de pescadores que voltavam de Ayolas falavam maravilhas dos bandos de piaparas no rio paraná e da facilidade em transporta-las nos ônibus em caixas de isopor, devido a ausência de fiscalização no rio e na estrada paraguaia que liga a ponte da amizade, fronteira com o Brasil. Aquela história difundida pelos pescadores que estiveram em Ayolas era verídica porque anos depois os peixes desapareceram como aconteceu mais recentemente no rio Paraguai, e muito tempo depois no próprio rio paraná, na região de Castilho, cooperando com esse descontrole ambiental a ambição ilimitada de pescadores que tiram o peixe do rio o quanto pode, muito além do necessário à alimentação da família por algum tempo. E disso se jactam por ganharem a fama de bons pescadores, campeões da pesca e outros enaltecimentos aumentando o prestigio entre os amigos.

Um companheiro de pesca no rio Paraguai, Vital Negrão e outras pessoas organizaram uma pescaria até Ayolas em viagem de ônibus com capacidade para 40 passageiros. Conseguiram reunir uns 20 interessados, contando comigo, com a saída em dia de semana à tarde e a chegada em Foz de Iguaçu no período da manhã do dia seguinte. O cauteloso motorista imprimiu pouca velocidade no ônibus o que deu a necessária segurança nos passageiros de que estavam viajando sem contratempos, e a parte noturna do percurso que seria a mais longa, assegurou um sono tranquilo em todos. Pela manhã, em Foz do Iguaçu, depois de um café em um dos restaurantes da rodovia, o ônibus entrou na ponte da amizade entremeio a um grande movimento de veículos, como sempre há, sem dia que possa ser excepcionado daquele imenso tráfego, parando do lado paraguaio a ordem emitida por um agente do trânsito. Examinou a documentação do ônibus e do motorista, indagando sobre a apólice de seguro individual dos passageiros. De nada valeu a explicação que a exigência não fazia parte das viagens de veículos terrestres, de modo geral, no interior do Brasil. A explicação do motorista nem terminou ao ser truncada pelo agente falando em tom áspero e mais elevado, em gesto que não queria conversa contraditória. Estávamos sobre outra legislação disse ele. O ônibus teve de fazer uma difícil manobra entre o trânsito tumultuado e retornar à Foz de Iguaçu. Procuramos um despachante policial que providenciou o pagamento individual do seguro, e com a regularização dos documentos voltamos ao caminho do Paraguai, prevenidos dos embaraços que poderiam nos esperar nos 430 km de estrada pela frente.

Pressentimento errado, pois tudo correu na perfeita harmonia, sem nenhuma fiscalização na rodovia.

Alfredo Enéias Gonçalves d'Abril, pescador aposentado