10 de julho de 2026
Política

PMs desocupam quartel no Ceará após tiros que feriram Cid Gomes


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O governo do Ceará retomou na madrugada desta quinta (20) o controle do 3° Batalhão da Polícia Militar em Sobral (270 km de Fortaleza). Os manifestantes, policiais militares que reivindicam aumento salarial e seus familiares, ocupavam o local desde a noite de terça (18) e saíram antes da chegada do Batalhão de Choque da PM.

Na tarde de quarta-feira, o senador licenciado Cid Gomes (PDT-CE) foi atingido por dois tiros quando tentou entrar no quartel dirigindo uma retroescavadeira. Ele está estável e internado no Hospital do Coração de Sobral e deve ser transferido ainda nesta quinta para Fortaleza.

A retroescavadeira usada por Cid ainda está na frente do quartel na manhã desta quinta-feira, quando será feita uma perícia no veículo que foi alvejado por tiros e também por pedras.

Sobral é a base eleitoral de Ciro Gomes e Cid, que apoiam o governador Camilo Santana (PT) e, nacionalmente, fazem oposição ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Cid foi governador do estado em momento semelhante de crise com a PM, em 2012.

Depois de dar o ultimato, alguns manifestantes se aproximaram do portão gritando que ele não tinha autoridade para determinar a retirada e uma confusão começou.

Cid levou um soco e recuou. Depois da confusão ele subiu na retroescavadeira e avançou sobre o portão, quando levou os dois tiros, além de pedradas.

Desde a noite de terça-feira (18), PMs fazem motim contra a proposta de reestruturação salarial feita pelo governo Camilo Santana. 

Em 2017, os ministros do Supremo Tribunal Federal confirmaram a proibição das paralisações de servidores que atuam na segurança pública. A regra serve para agentes das polícias Civil, Militar, Federal, Rodoviária Federal, Ferroviária Federal e do Corpo de Bombeiros, além de funcionários das áreas administrativas.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), estava reunido com o governador da Bahia, Rui Costa (PT), quando soube que Cid Gomes havia sido baleado.

Ele tentou, sem sucesso, ligar para o celular de Cid. Depois, entrou em contato com o ministro Sergio Moro (Justiça) e com o governador Camilo Santana.

Até esta quarta, três policiais foram presos e 261 eram investigados por participarem do motim no Ceará, que foi proibido na segunda (17) pela Justiça.

Em meio aos atos, dois batalhões foram atacados por homens encapuzados, que roubaram dez viaturas em uma das unidades e esvaziaram pneus dos carros em outra.

Na segunda-feira, a Justiça havia determinado, a pedido do Ministério Público do Ceará, que agentes de segurança poderiam sofrer sanções e até serem presos por promoverem movimentos grevistas ou manifestações no estado. 

Qual o cenário político no estado atualmente? 

O principal pré-candidato da oposição à prefeitura de Fortaleza na eleição de 2020 é o deputado federal Capitão Wagner (Pros), ex-integrante da PM e que, entre 2011 e 2012, liderou greve dos policiais militares quando Cid Gomes era o governador. Hoje, a prefeitura da capital é comandada pelo PDT de Ciro e Cid Gomes, com Roberto Cláudio, mas ele está em segundo mandato. Ainda não há um nome de consenso entre os governistas para a disputa. O governo é comandado por Camilo Santana (PT), aliado de Ciro e Cid Gomes.