Buenos Aires - Um dia depois de o Supremo Tribunal Eleitoral da Bolívia impugnar sua candidatura ao Senado, Evo Morales convocou a imprensa nesta sexta-feira (21) para reagir à decisão.
Em Buenos Aires, onde vive na condição de refugiado, o ex-presidente afirmou que "não há garantia de uma eleição limpa e transparente" e que a Bolívia "vive uma ditadura que responde ao poder dos EUA".
Evo renunciou em novembro, pressionado pelas Forças Armadas e por manifestações, após um pleito marcado por denúncias de fraude e que indicavam a conquista de um quarto mandato pelo líder indígena.
Na entrevista coletiva desta sexta, ele argumentou que suas atitudes após deixar a Presidência "foram para o bem da Bolívia", mesmo que, segundo ele, tenha vencido a eleição.
"Ainda assim eu concordei em realizar outra, por conta dessa avaliação fraudulenta da OEA [Organização dos Estados Americanos] de que havia irregularidades na contagem dos votos."
Também "pelo bem da Bolívia", Evo diz que não aceitou se candidatar à Presidência nas eleições do próximo dia 3 de maio. A lei que convocou novas eleições, porém, com base em um artigo da Constituição boliviana, proíbe a reeleição após dois mandatos para o mesmo cargo.