11 de julho de 2026
Nacional

Brasileiros recorrem ao crédito rotativo, apesar de alto custo

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 2 min

A quantidade de dinheiro emprestado via crédito rotativo no cartão aumentou. Em dezembro do ano passado, foram R$ 41,1 milhões concedidos, ante R$ 34,2 milhões no mesmo período de 2018 - o que significa um aumento de 20% do crédito concedido nesta modalidade. O cliente entra no "rotativo do cartão" quando não efetua o pagamento completo da fatura e quita apenas o valor mínimo ou atrasa a data de vencimento da conta. Dentro disso, o que também aumentou foi a inadimplência: do valor total emprestado no rotativo, R$ 25,1 milhões dizem respeito a faturas atrasadas. Em 2018, esse valor era de R$ 19,9 milhões. Os dados são do Banco Central.

Na busca de conhecer melhor os hábitos de quem usa regularmente o cartão de crédito e de entender o que leva o brasileiro a continuar adquirindo esse tipo de empréstimo emergencial, o Guiabolso - aplicativo de gestão financeira - realizou uma pesquisa com seus usuários.

O estudo concluiu que quanto menor a renda do consumidor, mais ele usa, proporcionalmente, o limite disponível. A pesquisa dividiu os cartões em três grupos: Gold, relativo aos usuários que têm renda de R$ 1 mil a R$ 7 mil; Platinum, de R$ 7 mil a R$ 15 mil; e Black, acima de R$ 15 mil. Para a faixa salarial mais baixa, chega a 13% o grupo de pessoas que usaram mais de 50% do limite. Já para a mais alta, essa porcentagem é de 10%.

"A diferença pode parecer pequena, mas estamos falando de 30% a mais de pessoas na faixa salarial mais baixa que comprometem acima de 50% do seu limite no cartão de crédito", diz o diretor de Produto e Tecnologia do Guiabolso, Julio Duran.

Ele explica que o crédito liberado pelo emissor do cartão é o resultado da análise da renda do cliente somado ao seu relacionamento com o banco e seu histórico de pagamento. O problema no orçamento, no entanto, costuma acontecer quando o consumidor passa a contar com o crédito do cartão para dar conta dos seus gastos.

"O risco de ter um limite muito grande é 'ter corda para se enforcar' e cair no rotativo, que é um crédito caro", diz Duran.