08 de julho de 2026
Geral

EJA se restringe a polos da Educação

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

Cerca de 180 jovens e adultos, distribuídos em 11 salas de aula, foram transferidos das escolas municipais, em Bauru, para os oito polos pertencentes à Secretaria Municipal de Educação. Desde o último dia 17, os alunos já estudam em outros endereços, mas a pasta passou a bancar o seu deslocamento. O órgão garante que os novos espaços darão conta da demanda.

Diretora da Divisão da Educação de Jovens e Adultos, vinculada à Secretaria Municipal de Educação, Andrea Cristina Soares Juarez explica que a chamada EJA atende pessoas acima de 15 anos, com o supletivo do 1.º ao 5.º ano do Ensino Fundamental.

Antes, possuía diversas salas espalhadas pelas Emeis e Emefs. "No entanto, os locais não eram adequados aos adultos, devido ao tamanho dos espaços e das carteiras", complementa.

De acordo com Andrea, a EJA conta com oito polos, cada qual em um bairro periférico da cidade, onde o nível de escolaridade costuma ser menor: Jardim Petrópolis, Jardim Redentor, Mary Dota, Jardim Godoy, Vila São Paulo, Bauru 16, Fortunato Rocha Lima e Parque das Nações. A sede administrativa, por sua vez, fica no Jardim Eugênia.

Ainda segundo ela, tais espaços têm melhor infraestrutura para atender os estudantes da faixa etária em questão.

"Eles ganharam o transporte e a merenda. Anteriormente, recebiam apenas a refeição seca, com suco e bolacha, porque iam às escolas no período noturno, quando as merendeiras já tinham cumprido a sua jornada", defende.

Desta forma, a diretora acredita que a evasão escolar de jovens e adultos possa diminuir.

Os polos da EJA também trabalham com três períodos: manhã, tarde e noite. Ao todo, abrigam 25 salas de aula e, após a transferência, 485 alunos.

Para evitar confusões, a mudança ocorreu de forma paulatina. "O ano letivo começou em 5 de fevereiro, mas só alteramos os endereços no último dia 17. Assim, tivemos tempo para divulgar a decisão", constata.

CONTRAPONTO

Quem não gostou muito da ideia foi o aposentado Otávio Afonso Vieira, que estudava à noite, em uma escola a oito quadras da sua casa, no Jardim Eldorado.

Com o auxílio de uma bengala, ele caminha até a unidade apenas para pegar o ônibus, que o leva até o polo mais próximo, no Mary Dota. "Só não pensei em desistir, porque gosto de estudar", confessa.

Nos dois primeiros dias de aula, o aposentado diz que o coletivo não passou. Agora, afirma que o transporte se normalizou.

Questionada, a diretora da Divisão da Educação de Jovens e Adultos assume que, talvez, tenha ocorrido um desencontro nestes primeiros dias, mas acredita que o problema tenha sido solucionado.