08 de julho de 2026
Articulistas

Ressaca de carnaval e o trânsito

Archimedes Azevedo Raia Jr.
| Tempo de leitura: 2 min

Terminado o carnaval, recomeça a rotina e a vida continua. Mas, não para algumas pessoas, que não mais estarão entre nós no próximo carnaval. Infelizmente, elas perderam a vida nos acidentes de trânsito, que aumentam durante os períodos de festas, principalmente os folguedos de momo. A ressaca chega. Nestes dias cresce o uso de álcool e drogas, aumenta a euforia e a distração ao volante, muitos abusos, e o resultado não pode ser outro que não vários mortos e feridos. Nas famílias, a alegria perdeu espaço para a tristeza; fica um sentimento de perda e um vazio enorme.

Mas o que é a ressaca? Pode ter dois significados distintos. O primeiro, "mal-estar causado por uma bebedeira, pela ingestão excessiva de bebidas alcoólicas". Esta acomete a maioria dos carnavalescos. O segundo está associada com a natureza: "Movimento das ondas que rebentam nas pedras ou na praia ao chegarem no litoral, quando o mar está muito agitado". Para lembrar-nos da ressaca etílica, uma manifestação da natureza, em pleno carnaval, foi registrada na praia do Tenório, em Ubatuba. Não trouxe a morte a ninguém, graças a Deus, mas arrastou pessoas e destruiu tudo que encontrou pelo caminho: quiosques, barracas, mesas, cadeiras etc. Causou grande pânico aos turistas.

Enfim, tanto uma como outra, podem trazer a morte. Àquela provocada pela natureza, nada há que se fazer, a não ser ter cautela. Quanto à outra, é totalmente evitável e, apesar de todas as informações disponíveis nas mídias, continua a acontecer irresponsavelmente no país. Será que a momentânea alegria produzida pelo álcool e drogas durante as festas compensa o enorme risco de perder ou tirar a vida no trânsito?

Quantas famílias agora choram e lamentam a perda de seus amigos e parentes amados! Isto quando não estão em leitos de hospitais! De que valeu o carnaval para estas pessoas? Aquela alegria passageira deu lugar à tristeza duradoura. A situação mais dramática é aquela das pessoas que foram realmente vítimas, ou seja, não concorreram em nada e, ainda assim, foram vítimas de motoristas irresponsáveis, cometendo todos os tipos de infração no trânsito.

É comum ouvir dos familiares, depois da tragédia: "mas, era uma pessoa tão boa, um filho exemplar. Foi uma fatalidade." Não, não foi fatalidade. Acidente é aquele fato inesperado, para o qual a pessoa não contribui diretamente para que ele ocorra. Incidente é quando a pessoa assume ações e riscos que venham a resultar em mortes, feridos e danos materiais. A maioria dos acidentes de trânsito é evitável. Sua ocorrência obedece rigorosamente às leis da física, que são implacáveis. Cabe a todos nós termos responsabilidade e respeito. Afinal, vivemos em sociedade na qual, para edificarmos uma convivência pacífica e sadia, temos que respeitar as suas regras e as pessoas. Isto é válido para qualquer comunidade. Vale sempre lembrar a regra de ouro: não fazer ao outro aquilo que não gostaria fosse feito a si.