08 de julho de 2026
Articulistas

Das cavernas ao celular

Wellington Balbo
| Tempo de leitura: 2 min

Há milhares de anos os homens desenhavam nas cavernas para comunicar-se e era algo mais ou menos parecido com os emojis e as (divertidas e algumas vezes necessárias e úteis) figurinhas que temos hoje nas redes sociais, a diferença é que ontem o homem escrevia nas cavernas, hoje ele tecla no celular. Diria um gaiato que o homem Pré-histórico foi um visionário, alguém que viveu milhares de anos além de seu tempo, pois com poucos recursos conseguiu prever a chegada dessas interessantes formas de comunicação - emojis, figurinhas, memes e afins, além do celular.

Quem tiver curiosidade pode conferir e atestar que não estou de brincadeira, os memes e emojis são bem parecidos com os desenhos do homem na Pré-história. Bem... a escrita evoluiu, o homem também. A comunicação, portanto, fluiu melhor com a evolução do homem e surgiram até canções com letras inesquecíveis e atemporais, aliás, aí estão as músicas das campanhas eleitorais que não me deixam mentir.

E hoje, talvez com saudades dos tempos idos das cavernas, estejamos querendo reviver essa fase dos desenhos e das gravuras. Ao menos é a impressão que eu tenho ao conversar pelo celular com algumas pessoas. Esses dias perguntei, via Whatsapp, a um amigo como estava o pai dele. Recebi de resposta um kkkkk. Então, como sou educado, perguntei sobre a mãe. A resposta do amigo foi: ahahahahah. E ele, como estaria o meu amigo, necessitaria de algo? Foi o que fiz, perguntei. A resposta dele, adivinhem... foi um sonoro, mas sem som: Oooohhhh! Ainda educado - essa tal de educação tem um limite - questionei pelo seu irmão, que não via há tempos. O amigo mandou-me uma figurinha.

Pensei, ele não me vencerá. E, de forma doce, indaguei pela sua esposa. Confesso que fiquei constrangido pelo emoji que me enviou como resposta o amigo. Nem vale a pena relatar... Resolvi me despedir e, claro, o amigo mandou-me um áudio despedida, óbvio que não havia a voz dele, mas uma gravação metálica, bem fria, bem distante, com palavras adocicadas, mas relembrando um café de segunda mão. E deixei aquela conversa de lado olhando para o celular e pensando: Caverna, doce caverna!