10 de julho de 2026
Economia & Negócios

Carne e clima fazem leite subir 3,6% no mês

FolhaPress
| Tempo de leitura: 1 min

São Paulo - O preço do leite pago ao produtor brasileiro em fevereiro deste ano teve aumento de 3,6% (cerca de cinco centavos) em comparação a janeiro.

Pesquisa, realizada pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq-USP, aponta que movimento de alta já é observado pelo terceiro mês seguido e é influenciado pela queda na produção da matéria-prima, devido a alterações climáticas e fatores externos, como a peste suína na China em 2019.

"O primeiro problema foi a questão da estiagem, sobretudo no sul do país, que é região leiteira. Com o pasto prejudicado, a produção de leite acaba diminuindo, a oferta fica menor e, logo, o preço sobe", explica Juliana Inhasz, professora do Insper.

A especialista afirma que outro fator ligado diretamente ao aumento do preço do leite é a alta nos preços da carne bovina, verificada no final do ano passado.

Com a peste suína na China e o crescimento das exportações da proteína de boi para o país asiático, o preço interno do produto no Brasil teve seguidas altas.

CONSUMIDOR

Em decorrência disso, produtores de gado leiteiro passaram a ver mais vantajosa a substituição por gado de corte. 

"Como o preço da carne estava muito atrativo para o produtor, muitos começaram a fazer o abate. Não é o ideal, mas é um grau de manobra praticado. Esse movimento também fez diminuir a oferta de leite no mercado, o que impactou não apenas o preço do produto, mas de seus derivados", diz a professora do Insper.

Os preços ao consumidor final também começam a sentir o impacto, ainda que de forma tímida. Segundo a Associação Paulista de Supermercados (Apas), entre dezembro de 2019 e janeiro deste ano, o leite teve alta de 0,84% nas prateleiras, enquanto seus derivados acumulam alta de 0,6% no mesmo período.