08 de julho de 2026
Ser

Padrão natural

Ana Beatriz Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

Se livrar de amarras e inseguranças em relação à estética quase nunca é fácil, especialmente quando os padrões de beleza impostos pela sociedade ditam padrões a serem seguidos. Os cabelos cacheados e crespos sempre foram os principais alvos dessa conduta, que hoje vem mudando.

A transição capilar, processo de retirar a química do cabelo para voltar ao aspecto natural, ganhou força nos últimos cinco anos e tem conquistado cada vez mais jovens e adultos. Agora, a moda é ser natural.

Para a psicóloga Luana Meira de Oliveira, 24 anos, o amor-próprio foi uma das principais descobertas que a transição proporcionou. "Eu queria parecer com as pessoas com as quais eu andava. Queria pertencer ao grupo. Só me sentia bonita se o cabelo estivesse liso", diz Luana, que hoje se sente mais autêntica com seus cachos.

Apesar de ter feito o primeiro procedimento químico aos 18 anos, a psicóloga conta que desde criança era adepta da escova e da chapinha, formas que encontrava para esconder os fios naturais. Quando finalmente decidiu fazer a transição capilar, que levou um ano e meio, encontrou outro obstáculo.

"Não tive o apoio da minha família, eles falavam que liso era mais bonito. Hoje, vejo que eles não tinham essa percepção de entender quem nós somos, só reproduziam os padrões da sociedade. Foi com certeza a parte mais difícil pra mim", lembra Luana.

A questão da aceitação familiar não foi diferente para a estudante de comunicação Nicolle Araújo, 19, que iniciou o procedimento aos 15 anos. "Hoje me sinto a Nicolle, mas eu lembro que na época sofria bullying por ter cabelo crespo. Dentro da família também passava por isso. As pessoas podem achar que é uma brincadeira, mas não é."

Ao realizar a primeira progressiva aos 11 anos, Nicolle lembra que sua experiência com rejeição ao próprio cabelo veio desde a infância. "Minha mãe arrumava o meu cabelo e prendia. Ficava inventando penteados, porque na realidade não sabia lidar com o volume dele. Na escola, eu via as meninas com o cabelo solto e me sentia mal. Sabia que se soltasse o meu, não ficaria igual o delas", afirma a estudante.

Para Fabiana Lourenço, 42 anos, especialista em cabelos cacheados e crespos há mais de 20 anos, a falta de conhecimento sobre os cuidados com os fios é um dos principais fatores que fazem as pessoas aderirem ao alisamento. "Eu via que as pessoas precisavam de mais conhecimento e aprender formas de cuidar no dia a dia."