09 de julho de 2026
Bairros

Vila Vicentina chega à Quarta Idade

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Fundada, oficialmente, em 1 de março de 1940, a Vila Vicentina, em Bauru, chegou à Quarta Idade. A nova classificação compreende a população acima dos 80 anos, tempo de vida que a instituição completa neste domingo (1). Atualmente, a entidade atende 80 idosos em situação de vulnerabilidade social, sendo 50 abrigados e 30 enquanto alunos do Centro Dia, que funciona como uma creche.

Presidente da Vila, Sergio Luiz Hungaro revela que o seu pai, o aposentado Sergio Ungaro, de 90 anos, passou a fazer parte da instituição na década de 50. "Na época, ele descia do ônibus, no Cemitério da Saudade, e caminhava por uma trilha de mato até o local, que sempre esteve situado no mesmo endereço: rua Jorge Pimentel, 2-5, Vila Engler", observa.

Assessor de comunicação da Vila Vicentina, Marcos Perassoli explica que a entidade começou a atender pouco tempo depois da sua criação. "Os dois primeiros idosos, um casal, vieram de Limeira para Bauru", revela.

A instituição foi fundada pelos membros da Sociedade São Vicente de Paulo (SSVP). A entidade, formada por leigos, existe em 153 países e visa auxiliar a população carente.

Segundo Marcos, a área total da Vila era maior do que a atual, afinal, três fazendeiros se juntaram para doar parte das suas respectivas propriedades. Na primeira década, o local abrigava apenas um pavilhão, com quartos, banheiros e cozinha, além da capela.

O presidente da Vila acrescenta que a entidade não atendia somente idosos, mas toda e qualquer pessoa necessitada. "Antes, tínhamos mais voluntários. Atualmente, contamos com um corpo de funcionários, ou seja, houve uma profissionalização", reconhece.

Hoje, o espaço possui lavanderia, dois pavilhões, área administrativa, centro terapêutico, capela, Call Center e Centro Educacional de Jovens e Adultos (Ceja). Ao todo, a Vila apresenta 49 mil metros quadrados, sendo 7 mil de área construída. Há, também, 70 funcionários e cerca de 70 voluntários.

De acordo com Marcos, a entidade chegou a acolher 120 idosos. "Hoje, temos 50, devido a uma série de normas legais, no sentido de prestar um atendimento melhor a uma quantidade menor de abrigados", justifica.

A Vila oferece, ainda, o Centro Dia, que opera como uma creche. Lá, atende de segunda a sexta-feira, das 7h às 18h, outros 30 idosos.

CREDIBILIDADE

Para o assessor de comunicação da entidade, ela conquistou a sua credibilidade devido ao trabalho sério da diretoria, associado à disposição da sociedade em ajudar. Inclusive, antigamente, os membros da SSVP promoviam a Revoada Vicentina, na qual recolhiam dinheiro de porta em porta.

Sergio participou de tal iniciativa. "Há 20 anos, a Revoada ainda existia. Eu saía entregando os envelopes com o meu pai e, na semana seguinte, pegávamos as contribuições", narra.

Atualmente, a Vila sobrevive graças às verbas públicas, ao Bazar, aos aluguéis dos imóveis e à doação da população. Só o Bazar e o Call Center representam 50% do rendimento anual da instituição.

A entidade recebe, também, doações em mantimentos, fraldas e itens de higiene. Além disso, algumas escolas fazem visitas regulares e levam contribuições. "Os alunos organizam bingos, por meio dos quais distribuem os brindes. Assim, passam um tempo com os idosos e ajudam a Vila", constata o seu presidente.

Segundo Marcos, a instituição já se prepara para os próximos 80 anos. "Pensamos no que podemos melhorar para os idosos. Se mudássemos o paisagismo, proporcionaríamos melhor qualidade de vida a quem estiver por lá", exemplifica.

Já Sergio adianta as melhorias. "Temos projetos prontos neste sentido, como aqueles que contemplam as reformas da lavanderia, do para-raio, da parte central do Churrasco Vicentino e da entrada da entidade, promovendo maior acessibilidade", frisa.

Hoje, a Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) realiza a triagem dos interessados em morar ou frequentar a Vila. "Pensando nas próximas gerações, pretendemos trabalhar com uma equipe que se dedique a integrar qualquer pessoa ao convívio com as demais", finaliza o presidente da instituição.