08 de julho de 2026
Turismo

Pescaria em Ayolas - 3


| Tempo de leitura: 2 min

Concluída a construção da usina, por uma das grandes empresas brasileiras, segundo informações por lá obtidas (não consegui por pesquisa saber qual empresa construiu a usina de Ayacyretá), os imóveis que acolhiam os funcionários de funções mais relevantes da construtora foram desocupados e negociados com particulares, e o hotel adquirido por paraguaios com finalidade comercial, vinha sendo explorando no setor turístico, mais exatamente na hospedagem de pescadores, com agenda sempre cheia. Muito bem organizado, o hotel dispunha de ar condicionado central, sala de refeições e cozinha típica brasileira para atender os pescadores, na sua maioria provindos do Brasil. Uma excelente piscina onde os pescadores refrescavam-se da canícula predominante naquela época do ano. No dia seguinte, definiu-se a parceria de cada barco e os lugares do rio Paraná, onde eram encontradas espécies diferentes de peixes. Eu e o parceiro que conheci na viagem dissemos ao piloteiro que fosse no reduto das piaparas, certamente o peixe que mais reproduzia no rio Paraná, portanto, o que mais procurava alimento, além de ser uma espécime valente na briga. Nosso barco rumou rio Paraná abaixo, navegando por uma hora para chegar na região pretendida, lá encontrando quatro embarcações poitadas com pescadores de nossa caravana, todos levantando da embarcação algumas piaparas capturadas para nos mostrar como estava valendo a pena pescar num lugar tão distante.

A descrição da pesca de piaparas por palavras escritas, melhor e minudenciada que seja a narrativa, não supera a presença pessoal dentro da embarcação, com o braço movimentando o caniço no lançamento da linhada e, sem intervalo, sentir seu espichar pela puxada do peixe. As vezes, antes da chumbada tocar no leito do rio de pouca profundidade naquele lugar, a piapara já engolia a isca iniciando a disputa com o pescador.

A experiência e habilidade do piloteiro adquiridas na prática dessa atividade desde criança, foi comprovada com sete piaparas sacadas do rio em questão de minutos. Parou nesse número dizendo que continuar pescando em três pessoas, em pouco tempo teríamos que voltar para o hotel com uma exagerada quantidade de peixes. Permaneceu no seu lugar no barco observando nossa pescaria. Até por volta das 12h, pegamos dezenas de piaparas, e para a surpresa de todos, o companheiro de barco fisgou uma piracanjuba, peixe de escama, de perfil alongado, todo prateado, sobressaindo na bonita anatomia, a cauda e ponta das nadadeiras de cor vermelho.

Alfredo Enéias Gonçalves d'Abril,

pescador aposentado