São Paulo - A cotação do dólar foi ao seu décimo recorde nominal (sem contar a inflação) seguido nesta quarta-feira (4). A moeda fechou a R$ 4,5810, alta de 1,50%. O turismo está a R$ 4,76 na venda.
A sequência de 11 altas seguidas, sendo dez recordes, é a maior desde janeiro de 1999. O movimento é fruto da aposta de investidores em juros mais baixos no Brasil. O mercado projeta a Selic entre 3,75% e 3,5% ao final do ano.
A pressão no real devido a juros mais baixos no Brasil, que levam o estrangeiro a tirar dólares do país, levou a moeda brasileira a ter o pior desempenho do mundo em 2020, com desvalorização de 14%. Desde 30 de dezembro de 2019, quando a moeda estava a R$ 4,014, o dólar ficou R$ 0,56 mais caro.
A alta do dólar em 2020 já é a quarta maior valorização anual da década e a sétima maior do século.
A depreciação do real acompanha a queda da Selic, que já teve cinco cortes no governo de Jair Bolsonaro. De 6,50% ao ano em julho de 2019 a taxa foi para 4,25%.
A Selic na mínima histórica também contribui para o dólar elevado por meio do carry trade, prática de investimento em que o ganho está na diferença do câmbio e do juros. Nela, o investidor toma dinheiro a uma taxa de juros menor em um país, no caso, os Estados Unidos, para aplicá-lo em outro, com outra moeda, onde o juro é maior, o Brasil. Com a Selic a 4,25%, essa operação deixa de ser vantajosa e estrangeiros retiram seus recursos, em dólar, do país, o que eleva a cotação.
BOLSA
A Bolsa brasileira, por outro lado, teve um dia positivo. O Ibovespa fechou em alta de 1,60%, a 107.224 pontos, maior valor desde 21 de fevereiro, antes das fortes quedas do mercado pós-Carnaval.
O índice seguiu o exterior positivo, que também teve sessões de recuperação. Dow Jones subiu 4,53%, S&P 500, 4,22% e Nasdaq 3,85%.