09 de julho de 2026
Articulistas

Irmão, me pergunte!

Arnaldo Ribeiro
| Tempo de leitura: 2 min

Vivemos tempo de intolerâncias. Se a opinião de alguém bate com a de outro, muito bem, tudo lindo. Aí são criadas as bolhas, onde aparentemente todos vivem em consonância de pensamentos. Contudo, nem todos pensamos iguais e nem devemos!

Quando as bolhas são estouradas, há xingamentos e, não raramente, violência. Dia desses, um cachorro foi esfaqueado depois de uma briga de casais. Em outro, um DJ foi parar no hospital, em coma, depois de um desentendimento na rua.

Há quem diga que este comportamento nasceu nas redes sociais. Não sou sociólogo, mas é verdade que tenho notado ambientes cada vez mais tóxicos na internet e fora dela. Ainda mais quando se trata de política. É evidente um muro que separa as pessoas no Facebook, Instagram ou Twitter. Do lado esquerdo, os tais de "mortadelas", pela direita o "gado". Apelidos pejorativos, ameaças, xingamentos, notícias fakes e muito mais são vistos voando por cima do muro a todo momento.

Amigo, em ano de eleição a tendência é de que essa guerrilha fique ainda mais violenta. Alguns políticos já estão tocando as suas pré-campanhas no ambiente virtual. Tire alguns minutos da sua vida para olhar os comentários. São pesados, independentemente do posicionamento do futuro candidato. Pior ainda. Há vários casos recentes de políticos que em vez de trabalhar para resolver os problemas sociais atacam jornalistas e suas informações.

Não quero dizer aqui que os jornalistas são santos, de fato há bons e maus profissionais, como em qualquer outra área. No entanto, é necessário entender a importância do papel (de forma literal e não-literal) do jornalismo na democracia. Este tipo de ataque pode mascarar interesses espúrios e atiçar ainda mais a intolerância daqueles que seguem de forma cega a ideia representada pelo político. O ciclo vicioso está formado: mais ataques, mais agressividade, maior o perigo para a nossa ainda jovem, mas muito cansada democracia.

Minha posição é de respeito ao contraditório. Não estou (e nem tenho a pretensão de estar) sempre certo. Perguntas fazem com que paremos para pensar e, em alguns casos, mudar de posição, amadurecer e até mesmo reinventar o nosso agir. Da minha parte, irmão, pode me perguntar! Responderei a cada questão com o maior prazer e respeito, seja uma pergunta da imprensa ou não.

Ah, e antes que me ataquem: no título deste artigo uso o pronome "me" após a vírgula, o que a regra gramatical considera errado. Mas neste caso faço uso da licença poética para me esquivar da regra. Pelo menos essa liberdade ainda temos. Espero...