10 de julho de 2026
Polícia

Polícia Civil 'fecha o cerco' a jogo do bicho em Bauru

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

Após redirecionar as escoltas e o patrulhamento preventivo especializado do Grupo de Operações Especiais (GOE), a Polícia Civil, em Bauru, "fechou o cerco" ao jogo do bicho, considerado uma contravenção penal. Tanto que o número de apreensões cresceu 67% nos dois primeiros meses de 2020, se comparado com o mesmo período do ano anterior.

Titular da Delegacia Seccional de Bauru, o delegado Ricardo Dias informa que, entre janeiro e fevereiro de 2019, a instituição realizou 12 apreensões, contra 20 no primeiro bimestre de 2020. Além disso, março mal começou e a polícia já registrou quatro ocorrências neste sentido.

A mais recente delas ocorreu na tarde desta sexta (6), quando a equipe do GOE fechou uma banca de jogo do bicho e apreendeu materiais utilizados na prática da contravenção, além de dinheiro. Um responsável foi conduzido até o Plantão Policial, onde foi ouvido e indiciado, e responderá em liberdade por exploração de jogo do bicho.

FOCO

De acordo com o delegado Ricardo Dias, as atividades do GOE passaram a se voltar à fiscalização de situações do tipo. "A prática é perniciosa e coibida pela Lei de Contravenções Penais", justifica.

Ainda segundo o seccional, apenas os exploradores do jogo saem no lucro. "Quem trabalha para estas pessoas o faz na total informalidade, sem qualquer garantia", reforça.

CRIMES MAIORES

O delegado também afirma que, embora a prática seja de menor potencial ofensivo, pode estar relacionada a crimes maiores. "No passado, alguns banqueiros do jogo do bicho acabaram presos no Rio de Janeiro. Lá, eles tinham ligação com o crime organizado, financiando o tráfico de drogas e o contrabando de armas. Tal atividade envolve uma série de situações e a polícia precisa coibi-la", argumenta.

Portanto, o seccional garante que as averiguações deverão continuar. "Acredito que este patamar de apreensões possa se manter ou, até mesmo, subir", observa.

Por se tratar de uma contravenção penal de menor potencial ofensivo, a legislação não prevê prisão em flagrante, somente a apreensão do material e a elaboração de um termo circunstanciado.

No entanto, Ricardo assume que, no dia seguinte, a maioria volta a praticá-la. "A partir do momento em que os infratores percebem um aumento da fiscalização por parte da polícia, começam a adotar um sistema de burla. Nós, obviamente, vamos descobrindo ao longo do tempo", finaliza.