08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A Alda e o Paulo

Paulo Cesar Razuk - Professor titular aposentado do Departamento de Engenharia Mecânica - Faculdade de Engenharia da Unesp Bauru
| Tempo de leitura: 3 min

O casamento deve ter sido ideia de Deus. Quem mais poderia pensar num plano como esse: juntar dois opostos sob o mesmo teto para compartilhar uma vida. O casamento proporciona a descoberta das profundas diferenças entre homens e mulheres, e elas não são apenas biológicas. Em todo nível - intelectual, emocional, psicológico e espiritual - homens e mulheres parecem ter vindo de planetas diferentes. O que os torna diferentes?

Homens e mulheres têm alma totalmente diferentes. Segundo antiga tradição, a alma dos homens vem do mundo da Divina transcendência; a alma das mulheres vem do mundo da Divina imanência. Transcendência é a qualidade Divina de estar além; imanência é a qualidade Divina de estar presente. Talvez isso possa ser expresso assim: os homens são almas mais removidas; são programados para fornecer a direção no relacionamento. As mulheres são almas mais envolvidas; elas têm a capacidade de trazer presença ao casamento.

Alda reclamava que Paulo não parecia tão empolgado com os preparativos para o casamento. Quando se tratou de escolher o cardápio, ele disse que ela podia decidir sozinha - ele realmente não se importava se a salada será servida com molho francês ou italiano. O esquema de cores ficou totalmente a cargo dela, ele concordaria com qualquer coisa que ela goste, mesmo que seja malva (malva ???). Alda se apressava para ver como ficaram os convites, mas seu noivo nem se incomodava de olhar para eles. Quando ela os mostrou, ele nem percebeu a marca d'água no papel com seus nomes. Enquanto ela era dominada pelo entusiasmo, ele ainda nem havia comprado um terno. Paulo não podia evitar isso. Não é que ele não esteva empolgado - ele estava, à sua maneira: para ele casar nada tem a ver com cardápio ou decoração. É um evento - os detalhes não interessam. Mas para Alda, cada detalhe do casamento o torna mais especial e relevante. Em cada detalhe está o selo da sua personalidade. Ela está envolvida. Ele está removido.

Paulo e Alda acabaram de assistir a uma palestra. O orador falou durante uma hora e meia sugerindo estratégias para melhorar a vida. Alda está inspirada, pronta para começar a implementar grandes mudanças em sua vida. Paulo ainda está se perguntando quanto o orador recebe por participante. Quando lhe perguntam o que achou da palestra, ele responde "interessante", "bem apresentada", "um adequado número de slides" - avaliações impessoais e técnicas. Alda certamente pensou a respeito daquelas ideias e como implementá-las. Paulo ainda vai pensar se aquelas ideias podem se aplicar ele. Paulo está removido. Alda está envolvida.

Genericamente, o homem é removido e distante. A mulher é envolvida e presente. Não há nada de errado com qualquer uma das atitudes. Às vezes é bom ser removido. O distanciamento e a objetividade são essenciais quando se trata de ver as coisas em contexto e fazer julgamentos. Porém a objetividade também tem seu lado negativo. Você não chegará a lugar nenhum se permanecer à margem da vida, como um espectador. Estar vivo significa se envolver e é aí que entra o elemento feminino. É o seu senso de envolvimento e presença que dá cor e personalidade à vida. Portanto, é a mulher que torna a vida real e vibrante.

O casamento é a suprema parceria entre os dois mundos, o equilíbrio entre a imanência e a transcendência. Então, após o casamento, temos uma vida inteira para aprender como trabalhar juntos e descobrir as maravilhas e belezas dos dois mundos se tornando um só.