11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Empresárias entram de vez no setor de reparos domésticos

Carolina Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Empresas de manutenção residencial com mão de obra feminina viram sua demanda crescer nos últimos anos. Com um cardápio amplo serviços, que vão desde pintura a instalações elétricas, esses negócios têm como principal público as próprias mulheres.

"Quem mora sozinha às vezes não se sente à vontade em receber um profissional homem em casa", diz Renata Malheiros, especialista em empreendedorismo feminino do Sebrae. Com isso, abrem-se oportunidades para que mulheres entrem nesse mercado mais masculino, afirma ela.

Sem a intenção de atender especialmente o público feminino, a técnica em edificações Priscila Vaiciunas, 34 anos, criou a Manas à Obra em 2015. Desempregada à época, ela foi motivada pela sogra, que tinha assistido a uma reportagem sobre o crescimento do setor de reparos domésticos. Com o negócio já aberto, Priscila percebeu que a maior demanda pelo serviço vinha de mulheres. Hoje, ela também treina uma equipe feminina com o intuito de expandir a empresa.

O investimento para começar esse tipo de negócio, em geral, é baixo. A técnica em mecânica Isis Pioneli, 29 anos, atendeu suas primeiras clientes usando ferramentas emprestadas por parentes. Depois que o número de serviços aumentou, ela comprou seus próprios equipamentos. Isis fazia de dois a três consertos por semana quando fundou a Ela Repara, em 2016, no Rio de Janeiro. Hoje, realiza, em média, quatro por dia.

O setor de manutenção residencial é um dos ramos que devem crescer em 2020, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Sebrae. A consultora Renata Malheiros ressalta que a possibilidade de expansão de negócios comandados por mulheres é ainda maior, porque as empreendedoras têm uma preocupação extra em relação à profissionalização.

Uma outra pesquisa do Sebrae aponta que as mulheres são 16% mais escolarizadas que os homens na área de empreendedorismo. Além disso, a especialista afirma que as profissionais, em geral, se preocupam mais em não serem invasivas nos atendimentos e buscam agir de maneira mais transparente ao explicar sobre a necessidade de cada reparo. "As pessoas muitas vezes pagam mais caro por serviços que entregam isso, e as mulheres podem sair na frente."

A forma com que a manutenção é cobrada varia entre as empresas. A Manas à Obra, por exemplo, trabalha com pacotes de serviço. Já a Mana Manutenção cobra por tipo de reparo. Aberto em 2015, em São Paulo, o negócio começou com duas sócias e hoje tem uma equipe com sete funcionárias.

Como a velocidade de execução do trabalho muda de profissional para profissional, as sócias padronizaram os valores dos consertos. Hoje, também oferecem cursos a iniciantes. A demanda pelos workshops surgiu durante os atendimentos, diz a arquiteta Katherine Pavloski, 31 anos, uma das donas. Isso porque, segundo ela, uma das premissas da empresa é explicar o processo de reparo para as clientes - que, então, passaram a perceber que poderiam realizar alguns deles por conta própria.