09 de julho de 2026
Nacional

'A mulher sábia edifica o lar', cita Bolsonaro em referência ao Dia da Mulher


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Em mensagem divulgada há pouco pelo Twitter, o presidente Jair Bolsonaro faz referência ao Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8). "Em nome da Sra. Olinda Bonturi Bolsonaro, minha mãe que fará 93 anos dia 28 de março, saúdo todas as mulheres do nosso Brasil", escreveu o presidente, antes de concluir com citação de "Provérbios 14:1" - "A mulher sábia edifica o lar".

Bolsonaro está em viagem oficial aos Estados Unidos e jantou ontem com o presidente estadunidense, Donald Trump, ocasião em que conversaram sobre acordos comerciais e a situação da Venezuela. No Brasil, Bolsonaro é alvo de protestos e manifestações de mulheres. Em Campinas, interior de São Paulo, manifestantes repudiaram o governo e criticaram a falta de avanço em relação aos direitos das mulheres.

Já o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, disse neste domingo, quando se celebra o Dia Internacional da Mulher, que "lugar de mulher é onde ela quiser, inclusive na Justiça e Segurança Pública". À mensagem do ministro estava anexado um breve vídeo institucional da Força Nacional que destacava a imagem de uma policial - o vídeo termina com a expressão "Força Mulher!". "Homenagem da Força Nacional/MJSP no Dia Internacional das Mulheres", escreveu o ministro, no post.

MUDANÇA DE CULTURA

A mudança da cultura é o maior desafio para o enfrentamento da violência contra a mulher, avalia a juíza Teresa Cristina Cabral Santana, da Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Poder Judiciário do Estado de São Paulo. Segundo a magistrada, certos pressupostos papéis sociais da mulher e do homem tem relação direta com a violência de gênero e seus diferentes formatos - entre eles a violência sexual, que registrou recorde em 2018, com 66 mil vítimas de estupro, segundo o 13ª Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

“A gente tem que respeitar o nosso ‘não’ e também o nosso ‘sim’, tudo aquilo que eles representam, com toda a dificuldade que você coloca. Há uma exigência cultural grande no nosso comportamento como mulheres”, afirma Teresa.

Além de revelar que ocorrem em média 180 estupros por dia no Brasil, um aumento de 4,1% com relação a 2017, 13ª Anuário Brasileiro de Segurança Pública também contabilizou alta dos feminicídios. Em 2018, 1.206 mulheres foram mortas por serem mulheres, segundo a versão mais recente do Anuário, divulgada em setembro.

Diante dos sucessivos aumentos nos índices de violência de gênero, Teresa frisa a complexidade do fenômeno e seus efeitos devastadores nas mulheres. O combate, segundo a juíza, passa pela educação e pela existência de serviços de política pública voltados ao fortalecimento das mulheres em situação de violência.

“A complexidade do fenômeno, além de não ser compreendida por algumas pessoas, quando revelada, ela nos dá o contorno exato da situação que está sendo vivenciada por essa mulher. Se a gente quer fazer alguma coisa a respeito daquela situação de violência a gente tem que conhecer todos os aspectos e meandros daquilo que ela representa”, diz Tereza.

A juíza indica ainda que determinados pressupostos culturais acabam evitando discussões relativas à mulher e impedindo o desenvolvimento de políticas públicas. “Há dificuldades reais, como a que a gente tem como sociedade, como nação, de sequer falar a palavra interrupção de gravidez. É uma coisa complexificada a tal ponto que a gente não consegue ter uma discussão sem partir para momentos acalorados de defesa de valores, que não tem relação necessariamente com a política pública, mas que são feitos de maneira a evitar que a discussão seja colocada”, afirma Teresa.

A magistrada aponta que há ainda um longo caminho a ser percorrido, mas destaca os avanços da sociedade com relação à discussão sobre a violência de gênero: “Se por um lado a gente tem uma sociedade que ainda tem uma cultura machista, patriarcal que ainda entende a mulher como suscetível de passar por uma série de situações que não sejam exatamente dotadas de igualdade e de dignidade, por outro lado a gente tem uma sociedade que está evoluindo, que está caminhando para um outro sentido, pelo menos está reavaliando essas escolhas.”