As chuvas intensas registradas em Bauru nos dois primeiros meses do ano deixaram um saldo de destruição. Além dos buracos, as erosões de propagaram em vários bairros da cidade, gerando preocupação para moradores e o poder público.
Segundo o titular da Secretaria Municipal de Obras, Sidnei Rodrigues, na maioria dos casos, as crateras foram abertas depois de as chuvas arrastarem galerias de águas pluviais e dissipadores de energia, dispositivos que ajudam a diminuir a velocidade da correnteza que chega às tubulações. "Como o rio encheu demais, aumentou a quantidade de erosões de médio a grande porte", destaca.
Na semana passada, equipes da Obras começaram a trabalhar nos pontos considerados de maior risco. Porém, o município estuda a possibilidade de acelerar os reparos por meio de contrato com uma empresa terceirizada, em caráter emergencial, ou, ainda, a partir da contratação temporária de trabalhadores da construção civil.
Um dos pontos considerados mais críticos é o da avenida Nuno de Assis, na altura do Jardim Santa Luzia, no trecho que dá acesso ao Núcleo Mary Dota e margeia o Rio Bauru. A erosão engoliu a calçada e ameaça avançar sobre o pavimento asfáltico.
"As obras estão em andamento e a situação ainda é instável. Vamos iniciar o assentamento dos tubos para construir um novo dissipador. Mas, se voltar a chover forte, há risco de precisarmos interditar a pista, ao menos parcialmente", comenta Rodrigues, citando que o reparo definitivo só deverá ser concluído em meados de abril.
Outra equipe trabalha na alameda Cartago, no Parque Santa Edwirges, onde a rede de galerias rompeu, provocando o afundamento do asfalto. Neste ponto, felizmente, o serviço está prestes a ser finalizado, de acordo com o secretário.
O mesmo problema ocorreu na região dos Altos da Cidade, provocando rachaduras em duas casas da quadra 3 da rua Domiciano Silva. Funcionários do DAE providenciaram a recuperação da rede de esgoto, que também cedeu, e a informação é de que os imóveis não correm o risco de desabar.
PERIGO
Morador de uma das casas atingidas, o bancário Victor Campos Brito, 24 anos, conta que notou que as rachaduras tiveram início justamente nesta segunda. "Já tínhamos percebido o afundamento no asfalto na semana passada, mas, até então, não tínhamos noção do perigo", comenta. Algumas fendas tinham tamanho equivalente ao espaço de um dedo.
Outras duas erosões bastante próximas também se formaram no Jardim Jussara, sendo que uma delas chegou a derrubar o alambrado de uma escola. "Nos dois casos, emissários de esgoto do DAE também acabaram cedendo. A situação é grave obras. DAE e Obras terão de fazer juntos, ao mesmo tempo, a recomposição do local", adianta Rodrigues.
Já na marginal da rodovia Marechal Rondon, sentido Interior-Capital, próximo ao trevo da Eny, uma erosão de 10 metros de profundidade e cerca de 30 de largura rompeu o sistema de galeria pluvial no início deste ano, ameaçando comprometer o asfalto e um poste de linha de transmissão primária do local. Parte do entorno precisou ser interditado e a prefeitura e a empresa concessionária discutem de quem será a responsabilidade financeira para solucionar o problema.
As chuvas também abriram uma erosão na região projetada para receber um parque linear no Núcleo Edson Francisco da Silva (Bauru 16). Mais antiga, outra erosão não solucionada na Quinta da Bela Olinda voltou a aumentar neste início de ano.