Para entender um pouco melhor como funciona o processo de pareamento, a zootecnista Cláudia Ladeira dá um exemplo: "Se tivermos um casal de filhotes de tamanduá extra, dizemos que temos um excedente. Daí, outro zoo pode dizer 'queremos um macho, pois temos uma fêmea sozinha'. Com isso, inicia-se um diálogo que pode resultar na transferência do animal excedente após este passar todo o tempo de aprendizado parietal com a mãe".
Contudo, a reprodução não é indiscriminada e ocorre somente com espécies ameaçadas de extinção ou com possibilidade de destinação. A cautela estende-se no decorrer de todo o processo, do transporte do animal à chegada deste e introdução ao recinto. "Ao chegar, o animal fica em quarentena e passa por exames. Depois, é cuidadosamente introduzido no recinto", resume a zootecnista.
Geralmente, o animal recém-chegado é colocado na parte interna do recinto ou em uma gaiola, para que não haja contato direto logo de cara. O cuidado é para que não haja estranhamento, visto que os animais precisam de um tempo para se ambientar. Pouco a pouco, os pombinhos vão se conhecendo, até rolar uma química. Do primeiro contato ao nascimento do filhote, tudo é cuidadosamente observado.
O PMX
A zootecnista Cláudia Ladeira conta que o pareamento será simplificado com a adoção de uma ferramenta que paulatinamente passa a ser implantada no País. Ela, inclusive, já tem viagem marcada para conhecer o PMx, um programa genético internacional que chegará em breve ao Zoo de Bauru. "A ferramenta sugere combinações de pareamento de acordo com dados genéticos correspondentes aos resultados esperados", explica.
A capacitação reunirá Cláudia, responsável pelo sauim de coleira da Amazônia, e outros 24 studbook keepers, responsáveis por espécies como o mico-leão dourado e o lobo-guará. "Isso mostra que a reprodução não é feita a olho", esclarece a zootecnista. "A gente tem ferramentas que permitem o pareamento mais geneticamente adequado, para dar manutenção ao status genéticos dos animais", reforça.