09 de julho de 2026
Articulistas

Não serão cancelados!

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Sabe a segunda-feira? Amanhã? Então. Não foi cancelada. Faltou ousadia ao coronavírus. Se é bom mesmo que cancele a terça e quarta também. Nada. Esses dias de contas e compromissos estarão firmes, fortes e saudáveis à nossa espera.

Se você está na merecida aposentadoria, parabéns: conseguiu algo que está praticamente suspenso antes mesmo da pandemia. Mas não se engane: a patroa não irá adiar as tarefas de casa que insiste em terceirizar ao prestativo parceiro de todos os dias.

Outra coisa mantida à revelia do vírus é aporrinhação. Pode ter certeza de que gente chata, que só sabe atrapalhar, vai preservar sua rotina de apoquentação. Cada um tem seu aporrinhador de estimação. Pense um pouco, lembre do seu e saiba: ele não entrará em quarentena. É, além de persistente, resistente. Intrometidos e fofoqueiros também estão livres de contágio.

E sem querer ser alarmista: não há coronavírus capaz de acabar com a discordância das famílias sobre que pizza pedir. A moça da pizzaria lá em pé, no canto da mesa, fingindo-se paciente, e nada de definição.

Mesmo com ela garantindo que a casa aceita pedido de quatro sabores na mesma redonda... não tem acordo. Sempre haverá alguém a perguntar se pode tirar a cebola da calabresa. Ou a azeitona de outra. Ou o alho de mais uma.

É um prazer mórbido pagar o preço cheio sem parte dos ingredientes - que, a propósito, não estão lá de brinde. Custam. E a demora fica maior na escolha do que no saboreio. Parece conferência da Organização Mundial da Saúde a decidir sobre restrições na saúde mundial.

O impasse na hora da pizza é uma pandemia, mas isso a Globo não mostra. Nem nós aqui. Ficamos todos preocupados com coisas menores. Como esse microscópico coronavírus. Pelo menos hoje é domingo e o pastel da feira, com ou sem grande público, está garantido, certo? O caldo de cana também.

O coronavírus bem que poderia experimentar essas nossas delícias e se acalmar um pouco. Com uns quatro copos de garapa na cabeça, cair em sono profundo. E, finalmente, parar de aporrinhar gente como a gente. Que só quer passar o vírus da normalidade.