08 de julho de 2026
Geral

Unidas contra a violência, mulheres têm aula de defesa pessoal

Luis Felipe Carrion
| Tempo de leitura: 2 min

A violência é um dos principais problemas que afetam a vida das mulheres brasileiras atualmente. Pensando nisso e para marcar o mês das mulheres, o Centro Cultural da Prefeitura do Câmpus da USP de Bauru, em parceria com a Seção de Práticas Esportivas, promoveu, na manhã deste domingo (15), no ginásio de esportes recém-reformado, uma aula de defesa pessoal aberta a todas as mulheres da comunidade bauruense. Ao todo, 38 pessoas compareceram, entre mulheres e seus parceiros (a).

A atividade era um pedido antigo dos frequentadores da universidade, principalmente das mulheres, que, por conta dos altos números de violência, não se sentem seguras ao caminhar pelas ruas e, em alguns casos, até mesmo dentro de casa. Além disso, existe a diferença na força física entre homens e mulheres em um eventual confronto.

A aula de defesa pessoal foi ministrada pelo professor de jiu-jítsu Márcio Silva, faixa preta da Gracie Barra Bauru, que já tem experiências em oferecer treinamento de autodefesa. “Abordamos o tema da defesa pessoal contra o estupro, com técnicas iniciando desde a abordagem do agressor até propriamente a situação extrema já no chão. A defesa pessoal é importantíssima nos dias de hoje. É difícil você ter que depender de uma ajuda, de um socorro. Então, a mulher, sabendo se defender, ela não vai precisar do homem para ajudar”, explica.

ATIVIDADES VARIADAS

Este não é o primeiro evento que a USP promove pensando na mulher. A preocupação do Centro Cultural é propor discussões sobre gêneros e mulheres durante todo ano.

“Já tivemos, neste mês, rodas de conversa sobre o que é ser mulher, interseccionalidade, questão de sororidade. A gente tem, aqui dentro do câmpus, coletivos feministas, coletivos que trabalham essa questão também. A aula de defesa pessoal é mais uma atividade com relação ao Dia da Mulher. É importante ficar claro que o problema da luta pela igualdade não se esgota em uma luta de defesa pessoal. Ela vai muito além do âmbito da força física e da submissão da mulher em violência física. Discutimos também a questão social, trabalhista, doméstica e outras de forma mais ampla”, ressalta Paula Marques, responsável pelo Centro Cultural.

O evento contou com apoio da Grace Barra Bauru e da Droga Raia.

PREVENIDOS

A dentista Regina Guedes de Azevedo, 54 anos, e o engenheiro civil Cláudio Carloni, 64, compareceram à aula. “Me ajudará muito. Eu me preocupo muito. Tem vezes que dou aula à noite ou assisto s uma aula à noite. Em outras, vou em um evento e tenho que pegar o carro para ir embora em uma rua escura. Essas dicas ajudam muito em um momento de talvez ser abordada e falar como eu posso escapar dessa situação”, diz Regina.

Para o marido, aprender as técnicas de defesa poderá ser uma segurança a mais para sua esposa. “Ela já fica um pouco mais prevenida e, sabendo que pode encontrar uma situação dessas, saberá como agir”, opina Cláudio.