09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Dólar tem alta e fecha acima de R$ 5

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Nesta segunda, a cotação do dólar fechou em alta de 4,55%, a R$ 5,0480, novo recorde histórico nominal (sem contar a inflação). O turismo é cotado a R$ 5,22 na venda. Em algumas casas de câmbio, chega a ser vendido acima de R$ 5,28. Em termos reais (corrigidos pela inflação), a moeda norte-americana está longe de sua máxima de 2002. Se for considerado apenas o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE, o pico de R$ 4 naquele ano, equivale a cerca de R$ 10,80 hoje. Caso também seja levada em conta a inflação norte- americana, o valor corrigido seria cerca de R$ 7,50.

A alta da moeda é impactada pela aversão a risco do mercado com o avanço do coronavírus e seus efeitos na economia global e por uma expectativa de corte de juros no Brasil. Em 2020, o dólar ficou mais de R$ 1 mais caro. O dólar é considerado como um dos investimentos mais seguros do mundo, ao lado de ouro e títulos do Tesouro americano. Em momentos de forte aversão a risco, investidores tendem a comprar dólares ou fundos atrelados à moeda como forma de proteção.

O mercado espera que o Banco Central (BC) brasileiro corte juros nesta semana em, pelo menos, 0,5 ponto percentual, o que levaria a Selic à mínima histórica de 3,75% ao ano.

A taxa básica de juros nesta faixa contribui para o dólar elevado por meio do carry trade, prática de investimento em que o ganho está na diferença do câmbio e do juros. Nela, o investidor toma dinheiro a uma taxa de juros menor em um país, no caso, os EUA, para aplicá-lo em outro, com outra moeda, onde o juro é maior, o Brasil.

Com a Selic no atual patamar de 4,25%, essa operação deixa de ser vantajosa e estrangeiros retiram seus recursos, em dólar, do país, o que eleva a cotação.

Dentre todas as moedas do mundo, o real foi a segunda que mais se desvalorizou na sessão, atrás apenas do peso mexicano. No ano, a moeda brasileira é a que mais perde valor.

Nesta segunda, a Bolsa brasileira teve o quinto circuit breaker do mês. As negociações foram interrompidas por 30 minutos logo na abertura do pregão, quando a Bolsa caiu mais de 12%. No fechamento, o Ibovespa despencou 13,92%, a 71.168 pontos, menor nível de junho de 2018.

A turbulência do mercado financeiro desta segunda é fruto do segundo corte de juros extraordinário feito pelo Fed, banco central norte-americano, neste mês.