08 de julho de 2026
Esportes

Quando o esporte parou

Luis Felipe Carrion
| Tempo de leitura: 2 min

Se em 2020 os eventos esportivos foram cancelados no Brasil e mundo devido ao coronavírus, no passado essa situação também já ocorreu. E o motivo foi por causa de uma doença: a gripe espanhola, causada pelo vírus da gripe, que explodiu no mundo em 1918 durante a Primeira Guerra Mundial.

Em setembro daquele ano, o Campeonato Paulista foi paralisado por três meses. As partidas foram retomadas em dezembro, mas só entre os times que tinham chance de título. Como não havia rebaixamento, os jogos que não interferiam na classificação final não foram disputados. Dessa forma, o Paulistano foi campeão tendo disputado 15 jogos. O Corinthians, vice-campeão, fez 17 jogos. Já o quarto colocado Santos entrou em campo 13 vezes e o Mackenzie, oitavo colocado, 11.

No Rio de Janeiro, o Campeonato Carioca foi disputado até o final e teve como campeão o Fluminense, com todos os times tendo disputado os 18 jogos previstos inicialmente. Entretanto, a gripe espanhola provocou a morte do jogador Archibald French, do Tricolor das Laranjeiras, e de Rodrigues Alves, presidente eleito que tomaria posse em 1919. Na Europa, não foi necessária nenhum tipo de paralisação, já que os campeonatos haviam sido cancelados desde 1914 devido à Primeira Guerra Mundial.

CONSEQUÊNCIAS DA DOENÇA

Acredita-se que a gripe espanhola tenha começado a se espalhar nos campos de treinamento militar dos Estados Unidos para a Primeira Guerra Mundial. As condições que não eram boas para a saúde ajudaram a fazer com que o vírus se alastrasse para a Europa e também para o Brasil. Quando a guerra terminou, em novembro de 1918, vários soldados levaram o vírus para casa com eles. Estima-se que morreram de 50 a 100 milhões de pessoas entre 1918 e 1920. 

"Foi algo muito semelhante ao que está acontecendo hoje. Um vírus que provavelmente teve uma transmutação ou uma alteração. E em um momento muito difícil, porque os conhecimentos de medicina não eram tão avançados como atualmente. Ao contrário, existia uma resistência muito forte da população a eles. A doença começou a ser de fato superada com algumas medidas de higiene, como acontece hoje, mas, claro, com várias diferenças", explica Maximiliano Martin Vicente, professor da Unesp Bauru.