Avaí - Aldeias da Terra Indígena de Araribá, em Avaí (39 quilômetros de Bauru), estão adotando uma série de medidas preventivas com o objetivo de evitar que o novo coronavírus (Covid-19) chegue à comunidade. Entre as ações, estão a limitação e até proibição de visitas com a instalação de porteiras nas entradas (leia mais abaixo) e aulas com orientações sobre como se proteger da doença. Se não houver mudança no cenário atual, comemorações do Dia do Índio poderão ser restritas aos indígenas.
"Nesta semana, estamos fazendo um trabalho com os alunos das escolas - cada aldeia tem o seu professor indígena - falando sobre as prevenções que devem ser tomadas, ensinando as crianças a fazerem a higiene e a lavarem as mãos e orientando as famílias para evitar transitar para cidades vizinhas", explica o cacique da aldeia Kopenoti, Edenilson Sebastião, o Chicão Terena.
Se o deslocamento for extremamente necessário, a recomendação do cacique é para que os pais evitem de levar os filhos e pessoas idosas. Os moradores da aldeia estão sendo orientados, ainda, a evitar os espaços com grandes aglomerações. "Todas as aldeias também estão adotando medidas de restrição para a entrada de pessoas que vêm visitar a aldeia, assistir as danças", diz.
Segundo Chicão Terena, os trabalhos missionários de instituições religiosas na Terra Indígena de Araribá também estão suspensos por tempo indeterminado em razão da pandemia de coronavírus, assim como as aulas nas escolas indígenas, que serão interrompidas a partir da próxima segunda-feira (23), seguindo as recomendações recentes do Governo do Estado de São Paulo.
"Há uma apreensão muito grande por parte dos moradores da aldeia", conta. "Na verdade, nós, indígenas, somos habituados a este espaço, mas com uma resistência própria do local, do espaço físico nosso. A partir do momento em que a gente sai desse espaço, a gente fica suscetível a contrair uma doença, como uma gripe, uma pneumonia, porque nós somos um grupo de risco".
O cacique revela, ainda, que a programação em comemoração ao Dia do Índio, celebrado no dia 19 de abril, que tradicionalmente é aberta a toda comunidade, poderá ser restrita aos moradores das aldeias para evitar que os indígenas corram o risco de serem infectados pelo novo coronavírus. "A gente está aguardando como vai se comportar essa doença no meio da sociedade", explica.
PORTEIRAS FECHADAS
Após reunir-se com lideranças indígenas, professores, equipe de saúde e comunidade, o cacique da aldeia Nimuendaju, Claudino Marcolino, decidiu suspender as visitas ao local. Para limitar a circulação de pessoas de fora na aldeia, as principais entradas foram fechadas com porteiras.
Por meio de comunicado, o cacique pede, ainda, para que indígenas que moram e trabalham na cidade, mas têm parentes na aldeia, procurem um profissional de saúde indígena para avaliação antes de ingressarem no local visando evitar uma eventual transmissão do novo coronavírus.
Outra iniciativa adotada pela aldeia Nimuendaju é a conscientização sobre a doença através dos grupos de WhatsApp criados na comunidade. Professores indígenas aguardam orientações da Secretaria de Estado da Educação para adoção de outras medidas de enfrentamento à Covid-19.