O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Bauru e Região (Sinserm) suspendeu a assembleia que estava marcada para hoje à noite, em que os servidores discutiriam a campanha salarial e a possibilidade de greve. Na semana passada, a categoria definiu por entrar no chamado 'estado de greve', após recusar a proposta de reajuste oferecida pelo prefeito Clodoaldo Gazzetta (PSDB), de 4,2% no salário e demais benefícios, como vale-compra e abono.
Porém, com o avanço da pandemia de covid-19, o novo coronavírus, o Sinserm decidiu suspender a assembleia e adiar discussões salariais com a prefeitura. "Monitoraremos diariamente a situação e, tão logo passe este difícil momento, convocaremos novamente a categoria para a retomada de nossas lutas", afirma, em nota, a diretoria do Sinserm.
Na assembleia realizada na semana passada, estavam previstos atos, que acabaram suspensos também. O primeiro ocorreria na Marcha das Mulheres, evento que foi cancelado no sábado passado. Depois, a categoria protestaria na sessão da Câmara Municipal da última segunda-feira, contudo o acesso ao público no prédio da Casa de Leis está suspenso por um mês, também em função do coronavírus. Por fim, estava marcada participação do sindicato no Dia Nacional de Luta, que ocorreria hoje, mas os atos estão sendo adiados pela organização nacional.
REAJUSTE
Com o adiamento da assembleia, a tendência é que as discussões salariais entre o Sinserm e o governo municipal fiquem para o segundo semestre ou mesmo para o ano que vem. Isso porque os prefeitos ficarão impedidos de conceder qualquer reajuste acima da inflação após o dia 7 de abril, por conta das eleições deste ano.
O aumento proposto pelo município é de 4,2%, mas os servidores entendem que o índice deveria ser maior, por causa da mudança na alíquota da previdência, que é paga para a Funprev, e que passará de 11% para 14% ainda em 2020. O sindicato, contudo, espera uma nova projeção da alíquota previdenciária, no modelo escalonado. Como o prazo do reajuste é até o mês que vem, o prefeito Clodoaldo Gazzetta deve mandar o projeto de lei com o aumento nesta semana para a Câmara.
A proposta da prefeitura, válida também para o DAE, Emdurb e Funprev, tanto para ativos como inativos, é de 4,2% de reajuste no salário - o sindicato pedia 10%. Já o vale-compra passa de R$ 500,00 para R$ 525,00 - o pedido do Sinserm foi de R$ 620,00. O abono que entrou há alguns anos no lugar do antigo vale-refeição vai de R$ 372,00 para R$ 389,70 - nesse ponto, o pedido da categoria era de passar para R$ 480,00.
A prefeitura ainda propõe aumentar o abono de R$ 70,00, concedido há dois anos, para R$ 72,94. Já o Sinserm pedia, principalmente, a incorporação do abono. O município tem cerca de 8 mil servidores ativos e mais 3,5 mil aposentados e pensionistas.