O secretário de Obras, Sidnei Rodrigues, prestou depoimento na Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Vargem Limpa. Ele voltou a atacar o projeto elaborado pela Etep, que foi incorporada pela Arcadis, e também a forma de atuação da COM Engenharia, empresa responsável pela construção.
Em oitiva de mais de uma hora, o secretário destacou que os primeiros problemas foram detectados em 2015, logo após o começo das obras. "Nas primeiras reuniões, a COM Engenharia já estava mais preocupada com o cronograma de pagamento do que com o cronograma de obra. Além disso, o projeto é ruim. Mas isso não tira a responsabilidade da construtora, que cria situações e atrasa a obra", declarou.
ADITIVOS
Um desses casos é o pedido de troca da manta dos tanques por lajes. O processo já se arrasta há anos. "O que vejo nesse ponto é a tentativa da empresa em ganhar um pouco mais. Por isso eles pedem a mudança", afirmou. A ETE já teve R$ 17 milhões autorizados em aditivos. Isso corresponde a mais de 13,1% do valor total da obra, contratada por R$ 129 milhões. Ainda há mais dez pedidos de aditivo - três de prazo e sete de valores - e caso todos sejam acatados, o montante passará de 25% do valor inicial, limite máximo previsto por lei. O período de conclusão foi adiado para agosto de 2021.
Ainda aos vereadores, Sidnei lembrou que a prioridade é concluir a parte principal da ETE, colocando em operação, para evitar o risco de perder verba federal. Foram R$ 118 milhões liberados pela União, e se a construção parar por mais de três meses, o dinheiro não vem mais para a prefeitura e o governo federal ainda pode pedir a devolução do que já foi pago.
A conclusão da etapa onde ficarão os secadores, neste caso, seria desmembrada e pode haver contratação de outra empresa. A Arcadis, empresa que fez o projeto da ETE, foi novamente convidada para dar esclarecimentos ontem, mas não compareceu.
O Departamento de Água e Esgoto (DAE), que cuida agora dos processos relativos à ETE, vai contratar empresa para fazer o Acompanhamento Técnico de Obra (ATO), gerenciamento e fiscalização, com custo estimado em R$ 7 milhões.