Ele virou artigo de luxo e já não é mais encontrado facilmente há pelo menos duas semanas. Além das prateleiras dos supermercados, várias farmácias em Bauru também já não têm álcool em gel para vender. É o que constatou consulta feita pelo JC e também o Núcleo Regional Bauru da Fundação Procon, que realizou fiscalização em oito farmácias de manipulação da cidade. A ação objetivou inspecionar os preços praticados na venda do produto durante a ameaça do coronavírus.
Os relatos de aumento de preços do álcool em gel foram muitos nos últimos dias à reportagem do JC. Contudo, em razão da falta do produto, a coordenadora do Núcleo Regional do Procon, Valéria Cunha, conta que não foi possível detectar se ele tem sido comercializado em preço majorado. Sem justa causa, o ato configuraria prática abusiva, punida pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC). com multa, que varia de R$ 700,00 a R$ 10 milhões.
A entidade explica que não recebeu denúncias formais na cidade, mas que a ação resulta de determinação da diretoria do órgão no Estado. Na Capital, as fiscalizações começaram nesta terça-feira (18).
"Registramos valores praticados e solicitamos as notas fiscais das últimas vendas para analisar. O parâmetro de valor depende da nota referente à compra feita junto aos fornecedores, que também foi solicitada", afirma Valéria. "Alguns proprietários disseram que houve majoração no valor praticado pelos fornecedores e indústrias. É o que será apurado", acrescenta.
As fiscalizações, desse modo, devem continuar em Bauru e também se estender pela região nos próximos dias.
PESQUISA
Em cinco de um total de seis farmácias consultadas pela reportagem nesta quarta-feira (18), que ficam no Altos da Cidade, Bela Vista e Vista Alegre, o produto estava em falta. Alguns proprietários reclamaram que o desfalque é causado pelo sumiço ou majoramento do preço de embalagens para o álcool em gel no mercado. Outros disseram que o preço dos insumos (água ionizada, álcool puro e gel) também aumentou.
"Suspendemos as vendas do para tentar negociar um preço melhor com distribuidores e estamos em contato com o Procon. Só a embalagem aumentou de 10% a 15% e a matéria-prima também encareceu. Sem subir o preço, trabalharíamos abaixo da margem mínima", afirma um empresário, de 24 anos.
Outra empresária, de 48 anos, diz que tem trabalhado com a redução de seu lucro há algumas semanas. "As embalagens sumiram do mercado e têm aparecido com preço muito maior. Para manter o preço dos últimos dois anos, tenho tomado prejuízo", diz a comerciante.
Algumas farmácias pela cidade têm comercializado o produto só por encomenda.
Na quadra 18 da Gustavo Maciel, a reportagem encontrou a única farmácia, das seis consultadas, que possuía o álcool em gel. Por lá, ele era comercializado a R$ 8,00 (60 gramas); R$ 16,00 (120 gramas); R$ 35,00 (500 gramas).
SERVIÇO
O Núcleo Regional Bauru da Fundação Procon recebe denúncias pelo (14) 3223-9477 e pelo e-mail regional.bauru@procon.sp.gov.br.