Vivemos tempos de ansiedade, de desassossego, de medo, de desequilíbrios, de inverdades etc. Surge um vírus, algo microscópico, que coloca um planeta inteiro em pânico e faz com que as pessoas responsáveis passem a pensar um pouco mais além de si; conclama a todos para exercitarmos a solidariedade, algo que deveria ser rotineiro passa a ser uma ordem, em razão da pandemia.
Sim, é preciso nos isolarmos, ainda que não nos encontremos em grupos de riscos, caso contrário colocaremos entes queridos em situação de perigo, avós, pais, filhos, amigos etc. Que loucura isso, dizem alguns... Porém, é preciso vivenciarmos essa experiência e sairmos diferentes do que éramos. Há trinta dias atrás muito provavelmente lamentávamos algum evento e hoje, talvez olhando para traz, vamos enxergar uma situação diversa, quem sabe bem melhor do que imaginávamos, se compararmos a situação atual.
Tínhamos liberdade de estar nas ruas, nas lojas, academias, trabalho, clubes. Podíamos abraçar, beijar, tocar a mão, sem qualquer preocupação e, por isso, nem dávamos conta daqueles gestos. Hoje somos chamados à responsabilidade e nos privarmos de algo tão prazeroso. Algo tão pequeno, invisível altera toda a dinâmica de um planeta, rotinas, comportamentos.
Pego-me a pensar que essa situação atual nos posiciona frente a uma realidade, que talvez muitas pessoas nunca tenham parado para analisar. A importância que o comportamento de cada um tem na vida social. Não somos ilhas, não vivemos sozinhos, somos parte de um todo e queiramos ou não, nossas atitudes influenciam na dinâmica dos outros.
A globalização escancarou essa dinâmica. A vida social é muito mais que um aglomerado de relações sociais. É tempo de ter uma visão holística. O holismo ressalva a importância do todo como algo que transcende à soma das partes, destacando a importância da interdependência destas. Algo que acontece do outro lado do mundo não é problema do outro lado do mundo, porque o mundo é um só... Assim, penso que o momento é de atenção, de ação, de solidariedade, de seriedade. Cada um deve assumir a sua posição e o papel que lhe cabe. Nada de histeria, mas nada de ingenuidade; menos fake news e mais comprometimento.
Exercitemos a solidariedade, cuidemo-nos uns dos outros. Após, virão outros tempos, outros desafios, quiçá estejamos mais preparados! Que o isolamento necessário possa nos transformar em seres mais sociáveis, mais fraternos, mais solidários o tempo todo...
Essa pandemia, nos une neste momento, porque todos somos atingidos de maneira igual, todos os seres humanos na mesma condição. Homens, mulheres, ricos, pobres, poderosos ou não. Países com potencial bélico e países miseráveis, todos na mesma situação de desproteção.
Que possamos aproveitar para nos unirmos em todos os instantes, contra todos os males. Agora sentimos na pele os males de um perigo, de uma iminente agressão, que possamos estar sensíveis a outros males como a discriminação, a fome, a miséria...
Embora possamos não nos enquadrar como vítimas de um desses males, outros humanos como nós sentem diariamente os efeitos da postura isolacionista de cada um de nós.
Reflitamos...