08 de julho de 2026
Esportes

Skate é esporte?

Vinicius Bomfim
| Tempo de leitura: 2 min

Dos asfaltos da Califórnia nos anos 1950, impulsionado pelos surfistas que enfrentavam faltas de ondas, para os holofotes do maior evento mundial esportivo com estruturas incríveis. A partir de 2020, o skate passa a integrar os Jogos Olímpicos, com a estreia programada para julho, em Tóquio, no Japão, que sedia a 32ª edição das Olimpíadas de Verão.

A decisão de incluir o skate no catálogo do tradicional evento se deu em 2016, nas Olimpíadas do Rio de Janeiro. Pela regulamentação, o país sede tem o direito de sugerir novas modalidades para o COI (Comitê Olímpico Internacional). Além do skate, o surfe, caratê, escalada e softbol também foram incluídos.

Entretanto, uma atividade que possui como característica a liberdade das ruas, agora enfrenta um novo cenário com regras e um palco montado. De um lado, skatistas que defenderam ao longo da história a fundo a forma de expressão "contra o sistema"; já do outro, skatistas que se tornaram atletas e hoje caminham lado a lado do mesmo sistema.

AFINAL, É ESPORTE?

Por ser uma novidade no cenário dos principais esportes do mundo, há quem discorde. Alexandre Cotinz, skatista desde 1998 e profissional há 7 anos, analida a questão. "Eu acredito que seja muito delicado dizer que é ou não é. O skate conta com diferentes 'áreas' que se aproximam mais de um esporte olímpico, como o Vertical, Park... Diferentemente do Street, que é andar na rua, como tudo começou. Chamar simplesmente de esporte olímpico desmerece toda riqueza que o skate traz consigo", explica.

Segundo Cotinz, o skate é uma forma de autoconhecimento e expressão artística, caminhando para o lado oposto do que é uma competição. "Somos frutos da liberdade, da contracultura. Na minha opinião, as disputas, eliminações, favoritismo, são coisas que não fazem sentido aqui. Entre nós, skatistas, todo mundo é igual. Diferente das Olimpíadas, que visa um país ser melhor que o outro", argumenta.

Representante da confederação que rege as regras da atividade no Brasil, Eduardo Musa, atual presidente da CBSk, argumenta que este próprio lifestyle do esporte também contribui para a entrada do mesmo nas Olimpíadas. "O nosso mercado é próprio, independe de Olimpíadas. Como um órgão, colocamos regras que possam melhorar o funcionamento do nosso esporte, mas insisto em dizer: existem vários skatistas que vivem do lifestyle, da competição, e também dos dois. Nenhum invalida o outro".