Mais uma morte suspeita por coronavírus (Covid-19) foi registrada, nesta quinta-feira (26), em Bauru, que totaliza, agora, quatro óbitos em investigação (leia mais abaixo). A vítima fatal mais recente seria um homem de 77 anos, que teve a Covid-19 especificada entre as causas da morte em sua declaração de óbito, emitida pelo Hospital Estadual. José Mário Pinho de Assis estava internado desde 20 de março e, em razão da suspeita, nem o velório foi realizado.
Apesar da especificação médica na declaração, a Secretaria Municipal de Saúde contabiliza o caso como suspeito, em razão da falta de exame laboratorial.
"É uma situação muito triste, não pude velar meu próprio pai. É algo que poderia colocar em risco todo mundo ali, não tivemos outra escolha", lamenta Silvia Regina Braga de Assis, 49 anos.
"Cuide bem de quem você ama e não subestime essa doença. Meu marido era saudável, tinha a pressão controlada há anos. Começou a reclamar de tosses fortes e se foi, de uma hora para outra", reforça a esposa, de 55 anos, que preferiu não ser identificada na reportagem.
José apresentou os primeiros sintomas no dia 16 de março, três dias após comemorar seu aniversário em casa com familiares. No dia seguinte, chegou a ser atendido na UPA da Vila Ipiranga, mas foi medicado e dispensado. "Ele teve febre e reclamava muito das tosses fortes que passou a ter", cita Silvia.
No dia 20, José foi internado no Hospital Estadual, onde foi isolado para tratamento, seguindo todo o protocolo para Covid-19.
"A tomografia indicou pneumonia grave, mostrou que ele estava com apenas 10% do pulmão. Foi aí que isolaram e realizaram todo o tratamento como coronavírus. Um exame também teria confirmado H1N1. Mas, na verdade, o resultado oficial acho que ainda não saiu, só que os médicos colocaram Covid na declaração de óbito", explica a filha, dizendo que os familiares que estavam no aniversário foram alertados assim que a suspeita teve início.
O paciente teria recebido até mesmo a medicação hidroxicloroquina, que tem sido utilizada no tratamento de casos graves de coronavírus.
Insuficiência respiratória, síndrome de desconforto respiratório, pneumonia, Covid-19 e hipertensão arterial foram indicadas na declaração de óbito.
DESPEDIDA
Em razão da especificação no documento, a família diz ter sido orientada a não realizar velório. "A princípio, a informação da funerária era de que poderíamos velar por duas horas, mas, quando o atestado chegou especificando com a Covid, eles não deixaram fazer mais", comenta Silvia.
A filha conta que, na companhia de sua madrasta, entrou em uma sala de preparação de corpos e se despediu visualizando apenas o rosto de seu pai, ainda dentro do saco de cadáver do hospital. Na sequência, elas saíram da sala e, alguns minutos depois, o caixão lacrado foi seguido pelos poucos familiares até o túmulo.
O corpo foi sepultado na manhã desta quinta-feira (26), no Memorial Bauru.
'ESPERAR E REZAR'
José Mário era aposentado, mas prestava serviço para um escritório. Nesta quinta (26), alguns funcionários do local realizaram exames laboratoriais particulares por receio da doença.
Silvia e sua madrasta, que tiveram contato direto com José durante os sintomas, receberam atestados médicos por 14 dias.
"Estamos bem de saúde, mas com medo. O hospital não fez o teste de coronavírus em nós, por não apresentarmos sintomas. Agora, nos resta esperar e rezar", finaliza a esposa da suposta vítima de Covid-19.