09 de julho de 2026
Geral

Artista sem palco: 'Estamos à deriva'

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 1 min

De uma hora para outra, as luzes se apagaram e os palcos se fecharam. Tudo por causa do coronavírus. Para quem trabalha com cultura, não foi diferente.

"A vida do músico é assim: quem toca ganha, quem não toca não ganha", diz Denise Amaral, vocalista de diversos grupos. "Estamos à deriva. O que nos resta é esperar. Vi que alguns artistas fazem 'lives' nas redes sociais, arrecadando alguma contribuição. Mas eu sou cantora, não toco nenhum instrumento".

Ela, que trabalha integralmente com a voz, lamenta a falta de shows. "Eu trabalho todo final de semana, ao menos, três vezes por semana. A coisa toda ficou séria", avalia.

Quem também teve a agenda de shows cancelada foi a banda Overhead, composta por quatro integrantes. Todas as apresentações marcadas até junho não ocorrerão mais por conta da prevenção ao coronavírus.

"É uma situação complicada para todo mundo. No meu caso, eu tenho outro trabalho no ramo de farmácia e continuo em atividade. Mas penso nos colegas que não têm outras fontes de renda", diz Ivo Ferreira, baixista.

Segundo o músico, o grupo deixará de ganhar mais de R$ 5 mil com os eventos cancelados.

COLABORAÇÃO

Músico há 30 anos, Chris Ventura tem sua renda vinda exclusivamente dos eventos em que se apresenta. Com o novo cenário, o artista está preocupado. "Minha esposa está desempregada e, agora, estou sem os eventos. É uma situação difícil em geral e a gente entende a necessidade das pessoas ficarem em casa", conta.

Chris foi o primeiro a receber a colaboração de uma pizzaria da cidade. "Os Patrícios fez uma 'live', sexta, sábado e domingo passados, para ajudar músicos. As pessoas que compravam as pizzas por delivery poderiam colaborar com uma quantia de couvert para o músico. Recebi menos do que se tivesse tocado no final de semana, mas qualquer quantia ajuda agora".