09 de julho de 2026
Economia & Negócios

Apesar da crise, bancos elevam juros

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - A Febraban, entidade que representa os bancos, anunciou, no dia 16 março, que as cinco maiores instituições financeiras do País estavam abertas para discutir a prorrogação, por 60 dias, dos vencimentos de dívidas de empresas. Nem uma quinzena se passou, e o que se ouve nas empresas que buscam negociar com os bancos é exatamente o oposto - não importa o setor, o porte do negócio ou o cargo do interlocutor.

A nota da Febraban destacava que a prioridade dos bancos era apoiar especialmente micro e pequenas empresas, proteger o emprego e a renda, numa eventual crise provocada pela epidemia de coronavírus no Brasil.

Representantes de entidades do setor privado, altos executivos de grandes empresas, proprietários de médios e pequenos negócios contaram à reportagem, muitos na condição de não terem o nome revelado, que os maiores bancos elevaram os juros em todas as operações. Capital de giro, antecipação de recebíveis e até de empréstimo de longo prazo, que já estavam em negociação há tempos e prestes a serem liberados, tiveram as taxas de juros elevadas de uma semana para outra. Há casos em que as taxas dobraram e até triplicaram. Setores mais atingidos tiveram o crédito cancelado.

Roriz Coelho, vice-presidente da Fiesp, questiona em particular o fato de os bancos não estarem oferecendo recursos liberados pelo Banco Central justamente para dar alívio às empresas. O BC vem liberando os chamados depósitos compulsórios (parcela de depósitos que, por determinação do BC, são retidas pelos bancos para reduzir o dinheiro em circulação). Foram liberados mais de R$ 200 bilhões desde fevereiro.

Entre executivos de grandes empresas, a percepção é que que os bancos esperam uma posição do BC ou do Tesouro Nacional sobre quem vai assumir o risco de crédito. Também há queixas sobre a inércia do Ministério da Fazenda em relação à questão. O ideal, dizem, é que o governo já tivesse um pacote de apoio financeiro, com taxas subsidiadas, via bancos públicos

Em nota, a Febraban afirmou que a decisão de conceder crédito, assim como a taxa de juros que será cobrada e o prazo de pagamento, varia de um banco para o outro de acordo com a metodologia de cada um deles e para a avaliação de risco de cada operação.