Após o Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciar, na última terça-feira (24), que os Jogos Olímpicos de Tóquio foram adiados para 2021, começam a emergir discussões sobre como ficam a preparação dos atletas em meio à epidemia de coronavírus e o calendário das competições de diferentes modalidades, tendo em vista que muitas ainda possuem seletivas classificatórias a serem disputadas.
No esporte brasileiro, a situação não é diferente. Trancados em casa devido ao isolamento social obrigatório para conter o avanço da doença e sem perspectivas de retorno das competições, esportistas de diferentes modalidades veem o adiamento como inevitável, mas, ao mesmo tempo, é ruim porque atrapalha o planejamento.
A levantadora do Sesi Vôlei Bauru, Dani Lins, que já participou de duas Olimpíadas e é figura constante na Seleção Brasileira feminina, diz que essa seria sua última edição de Jogos, caso fosse convocada e já vinha se preparando para isso. O vôlei feminino, modalidade de Dani Lins, já garantiu sua vaga em Tóquio.
"Estava me preparando fisicamente e psicologicamente, tecnicamente. Mas eu ainda continuo com vontade de disputar minha última Olimpíada, mesmo sendo ano que vem. Vou continuar me preparando para me manter na melhor forma. É ruim para mim, já que venho me preparando e também pela minha idade (35 anos). Tenho que trabalhar mais ainda a cabeça para me preparar mais um ano firme e forte e estar na Olimpíada", relata.
Em relação ao impacto do adiamento dos Jogos, Dani Lins diz que isso quebra a preparação para este ano, mas permite que os esportistas de todas as modalidades treinem melhor para competir em 2021. Ela espera ainda que os torneios classificatórios que já foram realizados sejam mantidos. "Os esportes que não tiveram classificatório deve ter normal como já ia acontecer esse ano", opina.
JUDÔ
Outro atleta da região que busca garantir uma vaga nos Jogos Olímpicos de Tóquio é o judoca Rafael Buzacarini, que nasceu em Barra Bonita e atualmente mora em São Paulo. Para ele, o adiamento da competição dá oportunidade de melhorar ainda mais a preparação que vinha sendo feita para competir neste ano. "Dá uma margem grande para continuar trabalhando, continuar melhorando e chegar bem às Olimpíadas", afirma.
Em relação aos impactos do adiamento para o judô, Buzacarini diz que o momento é de aguardar uma definição do cenário. "Judô é um esporte individual, mas que precisa de outras pessoas para estar treinando. Então, com as academias fechadas, fica complicado. Algumas competições já foram canceladas, então, há esse impacto. É esperar voltar, não sabemos quando. Voltar à rotina normal para treinar, lutar, competir e tentar se classificar para as Olimpíadas", esclarece.