Sabemos perfeitamente que dificilmente um político "desce do palanque" após as eleições, assim como seu aliado de hoje passa a ser o adversário na próxima eleição.
Muito bem, iluminados por essas premissas, estamos presenciando a disputa de egos entre nosso governador (aliás, apoiado pelo nosso prefeito) e o sr. presidente da República na abordagem de soluções para o real problema da pandemia do coronavírus, agora atingindo o Brasil.
E nessa disputa parece que vale tudo. Principalmente manipular estatísticas e informações. Na quinta-feira passada (26/03), exatamente quando começavam as pressões para flexibilização no decreto do fechamento do comércio em Bauru e o entendimento de que os "jovens" (pessoas abaixo dos 60 anos) poderiam retornar ao convívio normal, nossa Secretaria Municipal da Saúde solta um boletim informando que "A maioria dos suspeitos tem até 39 anos!" Neste mesmo informativo dizem que dos 95 casos suspeitos apenas 4 morreram. (Lembramos que nenhum destes, até o momento, teve confirmação da "causa da morte"). Só que, estranhamente (!), este mesmo boletim omite a idade dos falecidos. Pois bem, os falecidos tinham as seguintes idades: 77, 86, 87 e 89 anos.
No dia seguinte (6ª feira, dia 27/03), o Jornal da Cidade traz a reportagem da morte do sr. José Mário Pinho de Assis, aquele de 77 anos acima citado, onde sua filha afirma que uma tomografia havia indicado pneumonia grave e que um exame confirmou H1N1. No entanto, a Declaração de Óbito indicou morte por Covid-19. Isto gerou enorme dissabor e constrangimento aos parentes do falecido, pois foram impedidos de realizar o velório. O caixão foi lacrado e alguns minutos depois foi sepultado.
Agora retornemos apenas alguns dias, exatamente para 20/03/2020. Neste dia o sr. governador João Doria emite um Decreto (nº 64.880) onde, sob o escudo dos cuidados com a contaminação pelo coronavírus quando do manejo de corpos pelos médicos e enfermeiros, os médicos poderão atestar as mortes por Covid-19! A excepcionalidade da situação emergencial possibilita inúmeras atitudes inusitadas. Inclusive Atestado de Óbito inverídico!
Tudo que foi aqui relatado são fatos! Agora vem a pergunta que não quer calar: teria sido mera coincidência a edição deste Decreto exatamente no dia em que começavam as manifestações pró-volta ao trabalho, estimuladas pela fala de Bolsonaro? E a indicação do Covid-19 como a causa da morte em Bauru, mesmo com exames indicando pneumonia grave e H1N1?
Como engenheiro (portanto, cartesiano), afirmo que a coincidência beira o limite negativo da probabilidade; entretanto, como advogado, sou defensor do contraditório...
Como disse Shakespeare, há mais coisas entre o céu e a terra do que pode imaginar nossa vã filosofia. Aguardemos o final dessa história toda. Aí poderemos julgar melhor! Abraços (remotos, lógico).