09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Empreendedores: fiquem em casa!

Marcos Assis - Trabalhador assalariado - PSTU Bauru
| Tempo de leitura: 1 min

A irresponsabilidade daqueles que convocaram uma "carreata" em seus carros luxuosos e com ar-condicionado, pela abertura dos comércios e retomada de atividades econômicas, em nossa cidade, atendendo ao discurso mundialmente repreendido do presidente da República, põe às claras algumas características da nossa sociedade:

1. O chamado dolente do berrante continua enfeitiçando parte da sociedade, aquela que atende ao chamado do instrumento sem questionar motivações e interesses, mesmo que a encaminhando ao matadouro da pandemia;

2. Seguramente, quem move a economia e gera riqueza são os trabalhadores pois, sem eles, não há patrão que lucre, nem sociedade que consuma. Fica claro que os "empreendedores" - quaisquer que sejam seus ramos de atividade, posição social ou de classe, são dependentes da força de trabalho que tudo produz, tudo gera. O que seria dos supermercadistas sem seus açougueiros, caixas, repositores? Quanto lucrariam os donos de telesserviços, sem seus "colaboradores" que cobram ou vendem? O que os empreiteiros fariam sem seus armadores, pedreiros, azulejistas, serventes, carpinteiros? Fariam tudo sozinhos?

3. A classe trabalhadora é a única que pode atender aos anseios da esmagadora maioria da sociedade, incluindo os pequenos empresários do comércio, prestação de serviços, pequenas indústrias que tem nos trabalhadores, seus consumidores finais.

4. "O brasileiro é um povo sem memória": esta assertiva não é válida apenas para a história de longa duração mas, também, para fatos recentes. O mesmo chamado que esses "empreendedores" inconsequentes clamam, ocorreu em Milão, Itália, onde houve uma explosão de casos depois que o prefeito abraçou a campanha "Milão não para" e, em consequência, a mortalidade deu um salto de 14 mortes para mais de 9 mil óbitos em apenas um mês.

5. Por fim, de Léon Gieco, escritor e músico argentino: "A memória apunhala até sangrar os povos que não a deixam andar livre como o vento..."