08 de julho de 2026
Geral

Dicas simples para driblar ansiedade

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 2 min

Apesar de acostumados a enfrentar inúmeras dificuldades, os brasileiros experimentam uma nova realidade diante da pandemia do novo coronavírus. Agora, boa parte da população teme ser contaminada ou perder o emprego. Tais consequências, associadas aos 13 dias de isolamento social, em Bauru, têm condições de afetar a saúde mental de qualquer cidadão. Em vista disso, a reportagem ouviu três especialistas, que aconselham a manter uma rotina e a programar a mente com pensamentos positivos.

O psicólogo Mário Soares, do Grupo São Francisco, que faz parte do Sistema Hapvida, alerta para o aumento dos níveis de ansiedade e o agravamento dos distúrbios pré-existentes. 

De acordo com ele, o momento exige que os indivíduos cuidem da saúde física e mental. Inclusive, o profissional sentiu um crescimento significativo do número de pessoas pedindo ajuda. Atualmente, Mário realiza atendimentos online e não cobra daqueles que estão em crise.

Ainda segundo o psicólogo, o desconhecido faz com que os pacientes se sintam inseguros, principalmente, em casos como este, que se estende em nível mundial. Nesta situação, o medo, a apreensão e os pensamentos negativos tomam conta dos indivíduos.

Para ele, é preciso afastar sensações do tipo, que atuam como um gatilho para os distúrbios mentais mais graves, como a depressão e o pânico. "O cérebro funciona com conexões. Um pensamento negativo leva a outro e assim por diante. Isso destrói as pessoas", explica.

Logo, o profissional orienta a rebater a preocupação exacerbada com outros pensamentos, tais como: "a realidade, hoje, é esta"; "não estou sozinho, afinal, o problema atinge o mundo inteiro"; "não posso mudar muita coisa e só me preocuparei quando, realmente, for afetado"; e "o ser humano tem capacidade para se adaptar às mais diversas situações".

Mário Soares defende, ainda, a união de forças e sugere uma reflexão sobre o modo de vida. "A epidemia trará uma nova ordem mundial na economia, no consumo, nas relações interpessoais e nos valores. Então, como a maioria está em distanciamento social, é um bom momento para pensarmos no que realmente importa", argumenta.

EQUILÍBRIO

Especialista em Terapia Cognitiva Comportamental e Conformação em Terapias Baseadas em Mindfulness, o psicólogo Arnaldo Vicente informa que, em casos de pandemia, a situação não pode acabar maximizada e nem mesmo minimizada. 

Em primeiro lugar, ele acredita que as pessoas devam praticar o chamado otimismo realista. "Você precisa ter consciência de como está, do que possui e com quem pode contar. Basicamente, o indicado é utilizar o presente para formar os degraus do futuro", observa.

De acordo com o profissional, os pensamentos negativos aparecem involuntariamente. "Por outro lado, precisamos trabalhar com a autoterapia intencional, desenvolvendo ideias produtivas e esperançosas", aconselha.

Arnaldo, que passa orientações gratuitas via Facebook e Instagram, diz que uma pandemia pode gerar, ao menos, quatro reações psicológicas: ansiedade, angústia, depressão e até ideação suicida. 

Geralmente, as pessoas pedem ajuda quando entram no segundo estágio. "Eu já estou com a agenda cheia, mas os meus colegas têm percebido aumento de até 30% da busca por terapia nas últimas duas semanas", revela.