Autorizada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), em caráter excepcional, a telemedicina já chegou a Bauru. Os médicos das Unidades Básicas de Saúde (UBS) estão consultando algumas gestantes e crianças somente por telefone. A medida, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, visa preservar os pacientes e evitar aglomerações, atitudes que contribuem para coibir a disseminação do novo coronavírus. Porém, uma grávida de alto risco alega não ter sido sequer comunicada sobre tal decisão e, assim, precisou enfrentar uma verdadeira "saga" por exames (leia mais ao lado).
Diretora de Território da pasta, a enfermeira Carolina Carrer informa que os postos de saúde começaram a implementar a telemedicina desde o último dia 23. A medida, segundo ela, é válida somente para as gestantes e as crianças.
Nem todas as UBS passaram a praticá-la. As unidades da Vila Falcão, do Mary Dota, do Geisel e do Bela Vista não o fazem, porque atendem apenas a demanda relacionada à Covid-19. Os demais pacientes destes locais acabaram, com isso, transferidos para os postos mais próximos.
Ainda de acordo com Carolina, a Secretaria Municipal de Saúde orientou todas as UBS a comunicar, previamente, as gestantes e os responsáveis pelos pequenos sobre a mudança.
A enfermeira explica como funcionam as consultas. "Os médicos ligam e checam se está tudo bem. Em caso afirmativo, deixam os encontros presenciais mais para a frente", acrescenta a diretora.
Se os profissionais decidirem que a consulta presencial é necessária, os pacientes terão de ir até as unidades. "Queremos evitar que eles fiquem circulando pela cidade", complementa.
Os postos mantiveram tal procedimento para os recém-nascidos e as grávidas que se encontram no primeiro trimestre. "Mesmo assim, deixamos um intervalo de 30 minutos entre um compromisso e outro, driblando aglomerações", completa.
E A VIDEOCHAMADA?
A diretora de Território da pasta diz, ainda, que a telemedicina só não ocorre por videochamada, porque as unidades e, muitas vezes, os próprios pacientes não têm os equipamentos necessários para tanto.
Para ela, a medida é fundamental para evitar a exposição das gestantes e crianças. "Considero o método resolutivo, mas não deveria se tornar primordial, afinal, o contato físico dá maior segurança aos envolvidos", argumenta Carolina.