Com as pessoas em casa durante o isolamento social por conta da Covid-19, quem não tem um teto está cada vez mais vulnerável. É o que constata a voluntária Tatiana Calmon, que esteve na Estação Ferroviária, um dos principais pontos de aglomeração das pessoas em situação de rua, em Bauru. Segundo ela, houve queda de arrecadações de alimentos e o voluntariado não está indo com a mesma frequência às ruas.
"Eu conversei com muitos dos moradores de rua. Eles vivem de mendicância e não tem mais pessoas nas ruas para pedir. Os comércios que, às vezes, ajudavam fecharam. Já as doações voluntárias caíram muito e quem faz as entregas também têm medo de contrair o vírus saindo de casa", comenta. "Sei de um grupo que entrega sanduíches e pretende ir mais vezes, mas nem sempre dá para todo mundo", completa.
Ainda sobre as arrecadações, Tatiana, que vinha recebendo doações para a Páscoa dos moradores de abrigos e assentamentos, mudou o foco da ação recentemente. "Estamos nos preocupando mais com itens de limpeza. Não o álcool em gel, pois é perigoso em alguns barracos. Estamos pedindo, principalmente, sabão".
Aos interessados em ajudar, as doações de sabão, água sanitária, sabonete e demais produtos de limpeza podem ser entregues das 8h às 12h no Sindicato dos Ferroviários (rua Cussy Júnior, 3-40).
SEBES ORIENTA
De acordo com a diretora do Departamento de Proteção Especial da Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes), Rose Carrara Orlato, equipes continuam fazendo atendimento e orientando sobre a importância de esses moradores de rua buscarem abrigo ou voltarem para suas famílias nesse período. "As pessoas têm a impressão de que eles estão abandonados, mas estamos fazendo abordagens, inclusive, com o Consultório na Rua. Quase todos já são cadastrados na rede, poucos são novos casos".
A diretora ainda comenta que, do dia 16 a 20 de março, 29 pessoas atendidas pelo Centro Pop aceitaram ser direcionadas ao acolhimento em uma das três Casas de Passagens disponíveis no município, que totalizam 100 vagas. "Ainda assim, o principal problema é o uso e abuso de álcool e drogas, que faz com que eles não permaneçam no atendimento e retornem para as ruas", ressalta.
"Por mais que expliquemos a situação, a realidade deles em relação à droga faz com que não entendam a gravidade. Como não podem beber nos abrigos, eles voltam para as ruas", finaliza Rose Orlato.